terça-feira, 10 de novembro de 2009

E o Faith No More, hein?

(foto de B. Egypto)

E o Faith No More contrariou a todos e à eles mesmos (assim como qualquer outra banda depois de muito dizer que nunca fará isso) e resolveu se reunir e sair em turnê. E, depois de muito tentarem se desvencilhar de nosso país tropical, claro que acabaram dando as caras no país que os recebeu muito bem desde a lendária apresentação do Rock in Rio de 1991.

O Faith No More não é uma banda qualquer. Não por ter "inventado o Nu Metal" (ou sei lá que diabos querem dizer com isso), ou por reunir alguns músicos excelentes e um vocalista louco e carismático, ou por cometer um (ousaria dizer dois ou até mais) dos melhores discos da década passada (e do final dos 1980). Eles não são uma banda qualquer pelo fato de ser uma banda MUITO esquisita. Daquelas que quando você ouve pela primeira vez, tem aquela sensação de "mas o que é isso que tá acontecendo?!?!?". Os críticos que tentavam categorizar a banda (sem muito sucesso) lá no início dos anos 1990 que não me deixam mentir.

Levando para o lado pessoal, poderia dizer a vocês o seguinte: tanto o FNM não é uma banda qualquer que até eu, uma pessoa super farofa que só gosta de música pop e não tem apreço algum por bandas "pesadas", sou fã deles - isso, antes mesmo de saber que eles foram um dos poucos corajosos a aceitar tocar com o Sparks (e desde que soube disso a minha admiração só aumentou, óbvio). Ou então, levando para níveis mais absurdos ainda: eu nunca tive uma banda favorita quer caísse tanto no gosto de meus próprios pais, coisa que aconteceu com o FNM - para desgosto do meu irmão mais velho, o maior fã deles na face da Terra (dentre os que eu conheço, ao menos), que de tamanho frenesi por eles acabou contaminando a família inteira. Sim, ele também sofria de ciúme de banda (deve ser algo nos genes, como podem ver). Ou seja, a gama de fãs da banda transcede idade, gêneros e gostos, e vale lembrar que não é qualquer um que consegue tamanha façanha.

O caso da banda californiana ilustra bem o que eu quis dizer no post anterior, quando a história que você tem com certa banda vai além do que você possui ou sabe sobre ela. Ela é parte da sua vida, queira ou não. E eles eram tão bons que nem mesmo percebíamos o quão estranhos eram - ou então achávamos bons por serem tão estranhos, não sei. É daquelas perguntas tostines que não podemos (e nem queremos) tirar conclusões.

Claro que antes de eu por os pés naquela casa de show com nome de banco no Rio de Janeiro, a minha história com o show do Faith No More passou por altos e baixos: começou muito animada, com a confirmação dos shows no Brasil, e quase terminou bem mal, com a minha desistência em ir ao show - devido aos fatores de sempre, falta de dinheiro e poucas opções de transporte para mim - se não fosse pela aparição de uma mão amiga na última hora que me possibilitou de presenciar o evento. Devo dizer que foi uma sensação agridoce. Afinal, de uma família a qual praticamente todos os membros tinham algum nível de admiração pela banda, somente eu estava ali testemunhando algo tão especial.

Nem preciso dizer que passei a primeira metade do show às lágrimas (foi um bloco arrasador mesmo), e só parei em "Easy" por ser uma ótima piada, mas sem necessidade de choro. ;D
Mas logo depois vieram "Epic" e "Midlife Crisis" e aí nem preciso dizer que as lágrimas voltaram. Muitas lembranças ressurgiram: os primórdios da MTV Brasil; as madrugadas que eu passava acordada ouvindo música com meus irmãos; o amigo oculto do colégio na quinta série, quando pedi um vinil do FNM que nunca ganhei; de um amigo nosso que ligou aqui pra casa ao encontrar um dos integrantes após um show - e meu supracitadíssimo irmão mais velho desligou na cara por não acreditar que alguém do Faith No More estava querendo falar com ele no telefone; do meu saudoso irmão do meio, que adorava "roubar" as bandas favoritas do primogênito de forma que chegava a irritar; do meu igualmente saudoso avô, que adorava nos acompanhar até as lojas de discos importados e raridades e sempre com grande entusiasmo em estar conosco ouvindo aquele monte de música estranha. No show, eu via o tecladista Roddy Bottum e me lembrava de quando ele ainda tinha cabelo e de como eu o achava liiiindo (eu e os gays, sempre), olhava para o baixista Billy Gould e pensava que ele foi (junto com Les Claypool, Robert Trujillo, Kim Deal e Tina Weymouth) um dos responsáveis pelo meu interesse acerca deste instrumento durante a minha (pré-?)adolescência. E Mike Patton... ah, eu duvido que tenha existido uma adolescente sequer nos anos 1990 que não tenha se apaixonado por ele por um breve instante que seja, ao mesmo tempo em que havia um certo receio (pra não dizer medo) de sua figura - sem falar que na verdade eu sempre acabava preferindo a "outra banda" de Patton, mas se não fosse pelo Faith No More eu nunca saberia da maravilha que era o Mr. Bungle. Enfim, são apenas algumas das histórias para mostrar que o Faith No More, antes de ser uma banda interessante, criativa, caça-níquel ou qualquer outra coisa para o resto do mundo, era uma banda que eu precisava ver ao vivo.

O show deles foi tão carregado de significados que apenas avaliá-lo com notas ou dizendo que música tocou ou faltou torna-se pouco, irrelevante.

- Isn't that what it's about ?
Sra. T. Beresford


quinta-feira, 17 de setembro de 2009

desvairices continued

(e redundantes)



O que mais gosto em ter um perfil no last.fm é poder constatar que as obsessões por bandas se manifestam das mais variadas formas. Certas bandas me dão vontade de ouvir o disco todo e outras, apenas algumas músicas; umas me dão vontade de procurar a discografia completa, enquanto outras um disco apenas é o suficiente; as que me fazem correr atrás dos discos originais, e as quais os mp3s em qualidade pífia me satisfazem. Sem falar nas músicas, as que posso ficar ouvindo repetidamente até perder a noção da realidade, ou as que não consigo ouvir mais de uma vez consecutiva - mas que acabo fazendo questão de ouvir ao menos uma vez ao dia, todos os dias. Como diria o poeta, "Some bands are bigger than others". São casos e casos, formas ligeiramente diferentes de se gostar de cada uma dessas bandas - mas no fim todas tem sua importância.

Tenho notado um número crescente de pessoas que sofrem dessas mesmas obsessões "breves" (entenda-se por breve qualquer período de tempo que pode variar de dias a anos, hah), o que é algo um tanto animador. Nunca escondi de ninguém que tenho crises dignas de riso (evocadas, na maioria das vezes, por pessoas que não entendem esse tipo de coisa - claro!), que também são desencadeadas e manifestadas de formas variadas e nem esquento a cabeça com isso. Já contei aqui que sou ciumenta, possessiva e bastante "fiel" à vários tipos de banda. Algo que só com o auxílio estatístico do supracitado last.fm pude começar a (tentar) compreender.

Atitudes são curiosas de se notar - tanto minhas como de amigos próximos - quando se trata em discutir o gosto musical. Atualmente, sempre que alguém vem falar comigo de alguma banda que eu amo de paixão, já chega quase que pedindo desculpas por não ter gostado do que ouviu. Isso acontece com mais alguém aí? Será que sou uma ditadora e não tô sabendo? O mais engraçado é que até então eu tinha a certeza quase absoluta de que é raro eu sair por aí recomendando qualquer coisa - comento que adoro, escrevo aqui toda uma história, mas é muito difícil eu sair por aí puxando os amigos pelo braço dizendo "VOCÊ TEM QUE OUVIR E GOSTAR" (como já vi muito amigo fazendo, aliás). Sei que tendo a ser bastante apaixonada na hora de me manifestar acerca de certas coisas (talvez seja isso que instigue tanto a curiosidade dos outros a ponto de quererem conhecer), mas como já fiz questão de contar em posts anteriores, eu não faço questão alguma de que as pessoas gostem do que eu gosto. O meu ciúme - talvez a maior justificativa para esse horror que sinto na hora de falar sobre música com alguém - acredito que seja decorrente de ter passado a parte da vida gostando de coisas que a maioria não aprovava, resultando na incrível habilidade em admirar a capacidade que pessoas tem em não compreender o que eu gosto. Adoro isso. Pura vaidade.

Pior que ver gente te julgando pelo gosto pessoal é notar um porrilhão de gente ouvindo exatamente a mesma coisa que você. O problema nem é existir outras pessoas na face da Terra que gostem das mesmas coisas que você (mesmo porque isso é inevitável): o problema é quando alguém começa a gostar de algo por influência SUA. Você quer manter aquele delicioso segredo muito bem guardado só pra você e de repente ele é acessado e compartilhado por vários outros e a culpa é única e exclusivamente sua! É a sensação de que uma parte sua é roubada sem cerimônia alguma - roubada sim, não haverá um "muito obrigado" por isso. E por mais que você queira que um mundo perfeito seja povoado por pessoas de irrefutável bom gosto (e neste caso você acredita que está fazendo a sua parte para melhorá-lo), há um pouco de rancor ao observar que por mais que gostem do que você os apresentou, nunca irão gostar de forma tão genuína e intensa como a sua (afinal, falamos de vaidade aqui) - isso sem falar quando a coisa vira uma espécie de competição, já que se os outros não tem a história que você tem com a banda favorita eles irão compensar de alguma forma - querendo saber mais que você, ou tendo mais que você, ou sei lá... Enfim, não há um relacionamento saudável entre você, seus amigos e suas bandas favoritas quando não está tudo em pé de igualdade. Ou, o extremo oposto: o respeito à hierarquia.

Gosto de acreditar que qualquer pessoa que realmente goste de música deve passar por alguma situação semelhante. Pessoas que não ouvem música apenas para cortar o silêncio do ambiente - é uma relação extremamente íntima, da música estar mais presente em sua vida que parentes e amigos e te entender melhor que estes. Ouço meus discos antigos e relembro de momentos, de pessoas que nem sei onde estão... e os meus discos continuam aqui, e ainda me dão prazer como na primeira vez que os ouvi. Ou, melhor ainda, misteriosamente renovam-se para meus ouvidos sempre ávidos por novidades é tão bom quando você descobre um detalhe que nunca tinha percebido naquela música/banda que você até então achava conhecer tão bem.

Tem bandas em que para ouvir apenas um album é uma verdeira luta. Parece que o disco de meia hora não acaba nunca. Enquanto isso, as bandas favoritas e dignas de ciúme são mágicas... acho que eu poderia ouvir seus discos os dia todo e nem iria perceber, e pediria mais. E adoro notar isso pelo last.fm. Sempre acabo tendo alguma surpresa quando analiso a minha biblioteca, por constantemente surgir novos dados sobre eu mesma nesta - afinal, se música para mim é algo íntimo, certamente a "library" revelará ao mundo muito além do imaginado. Mas, resumindo, é mais ou menos o seguinte: as bandas mais ouvidas são as quais sinto maior ciúme por serem as que eu tenho maior identificação e história - e por isso mesmo, sinto-as mais próximas, mais "íntimas". É uma conjunção de coisinhas, óbvio - dentre elas o tempo (quanto mais tempo conheço a banda, mais me acho dona dela) e o sex appeal (se é paixonite de tenra idade, então, nem se fala). Claro, não posso dizer que é uma regra estável, como já disse no início do post: há formas ligeiramente diferentes de se gostar das bandas, e de repente tudo pode mudar. E nunca se sabe quando aquela paixonite veeeelha e até mesmo um pouquinho esquecida pode voltar avassaladora, agora estampada lá no last.fm, para todo mundo ver e querer saber mais a respeito. Mesmo que a contragosto daquela que está alimentando toda aquela quantidade de dados...

Acho que no fim das contas tudo tem a ver com busca de identidade mesmo. Já somos categorizados em tantas coisas que fazemos de tudo para não querer que as pessoas fiquem mais parecidas conosco, especialmente no que concerne o gosto pessoal. Identidade E vaidade.
Não é à toa que a soberba é o pecado favorito de "vocês-sabem-quem" ;D

- I Bought Myself A Liarbird.
Sra. T. Beresford.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

o tal do post desvairado sobre o XTC

(atendendo a pedidos)

Acho que um dos grandes problemas em saber da existência dos Beatles desde que me entendo por gente (em virtude de ser filha de uma orgulhosa e ciumenta Beatlemaníaca) é que no fim das contas, mesmo gostando deles, acabo fazendo pouco caso. Nunca tive aquele momento de revelação que muitas pessoas tem ao ouvi-los - pra mim eles sempre estiveram lá, sempre foram bons, e é isso aí. Pelo contrário, sempre curti muito mais ver o que eles geraram - minha lista de bandas e discos favoritos influenciados pelo legado dos Fab Four não me deixa mentir.

Como todos os meus dois leitores já estão carecas de saber, fui ter o tal "momento de revelação" com as bandas do Pós-Punk/New Wave. Vendo hoje, nem é difícil de entender o meu profundo apreço pela época: quer som e visual mais lúdicos? Por mais que eu goste da tosqueira punk (e de várias outras coisas), eu sempre me diverti muito mais vendo aquelas pessoas, na maioria das vezes aparentemente normais, e suas formas peculiares de conseguir aloprar e/ou serem alopradas. E o que me encantava enquanto criança exatamente por este aspecto, cresceu e virou principal referência porque achava que, apesar de todas as caricaturas que marcaram a época, tinha muita coisa boa ali no meio. Isso resultou numa adolescência regada à piadas de coleguinhas que não sabiam nada de música pop e uma impressionante resistência de minha parte para com as bandas dos anos 1990. Quem me "salvou" na época foram as bandas com influências declaradas da era renegada - duas das quais constam até hoje no topo de minha lista de bandas favoritas de todos os tempos. Afinal, o que seria do Weezer sem The Cars? E o que seria do Blur sem o XTC?

Senhoras e senhores, eis uma tentativa de contar a história desta última em minha vida. Porque não me lembro (ou melhor, não lembrava - como vocês verão mais tarde) exatamente como eles chegaram aos meus ouvidos. Sei que no meu caderno do colégio do extinto segundo grau tinha um recorte deles no verso da capa, sendo que esta ostentava orgulhosamente uma propaganda de revista do The Great Escape do Blur (e a contracapa tinha uma de Different Class, do Pulp). A presença do XTC no meu caderno tinha um porque, claro: Drums and Wires, um disco que, além de ser ótimo, tem uma capa pelo qual sou apaixonada desde a primeira vez que a vi (mais tempo que vcs imaginam). Não tentem entender por que gosto tanto dela. Não foi a primeira ou a última vez que me deixei levar por uma banda tão somente por ter caído de amores pela capa de um de seus discos - até mesmo os supracitados Blur e Weezer chegaram a mim passando pela mesmíssima coisa.

Mas a banda britânica ainda tem outras capas dignas de serem emolduradas para colocar pela casa - como a de Black Sea (que para a minha eterna inveja eles aparecem vestidos de escafandristas, algo que sempre quis fazer - outro dado meu que vcs não precisam tentar entender), ou a de This is Pop (que é simplesmente muito bonitinha), sem falar da excelente capa de Go 2. E melhor que isso é constatar que não só as capas mas também o conteúdo é da melhor qualidade. Nunca consegui o Drums and Wires em vinil (quem sabe agora que voltei a ser habitué dos sites de leilão...), mas tenho um que, apesar de ter estranhado muito quando ouvi a primeira vez (por ser bem diferente do que era a minha única referência à banda até então), acabou me ganhando pra sempre por ser um disco muito lindo, ponto. Falo de Oranges & Lemons:

(acho que nem preciso dizer que AMO essa capa também)

Quando a internet da idade-da-pedra chegou, o XTC já era uma daquelas bandas no topo da lista de prioridades para o download, especialmente pelo fato de ser influência de toda e qualquer banda que eu gostasse (tanto dos anos 1990 como - mais ainda - dos 2000), além de gostar bastante do pouco que conhecia. Depois de passar pela fase de baixar música por música na net discada e não ter nada por completo, veio a época de abusar da banda larga de terceiros para tais atividades - só que eu não contava que o backup feito com tudo que baixei iria pro espaço antes do imaginado, e eu mal tive tempo de apreciar o pouco que consegui.

Mais precisamente em março deste ano resolvi correr mais uma vez atrás dos discos dos Fab (Four? Three? Two?? hum, depende da época) de Swindon, agora pelos blogs. Encontrei grande parte do que foi lançado, mas para azar meu ou eles tinham péssima qualidade (similar ou pior que as versões perdidas no backup) ou faltavam músicas. Quando não ambos. Eu, fresca que sou, confesso que ouvia os discos com aperto no coração sabendo que tava perdendo grande parte da coisa, já que ficaram notórios por primarem pela produção de estúdio, cuja qualidade aumentava a cada disco com arranjos difíceis de serem reproduzidos ao vivo, resultando num afastamento gradativo dos palcos e tours que logo se tornou definitivo também pelo medo de palco sofrido pelo guitarrista/compositor principal Andy Partridge.

Nem precisa de muito para ver que Partridge é do tipo ame-ou-odeie: o cara que sorria em pleno movimento punk. Fazia caretas durante as apresentações de TV, canta de forma esquisita, grita nas músicas em momentos insólitos, não concede entrevistas, é fanático por roupas de época e revistas em quadrinhos (perceptíveis na direção de arte da banda, que muitas vezes ficou em suas mãos), e, claro, assinava a maioria das músicas. Definiu bem quem o chamou de "criança desobediente da indústria da música". Sua contrapartida era o baixista autodidata Colin Moulding, que fazia o papel de gente fina e compunha as canções mais propensas a hit ("Life Begins at the Hop", "Making Plans for Nigel", "Generals and Majors", "King for a Day" e "Grass" são alguns exemplos). Tem gente que denigre um em defesa do outro, mas sinceramente eu não posso dizer nada a respeito - porque até há pouco era uma banda que eu não sabia de maiores detalhes, a não ser sobre Andy. E isso só porque ele já foi (ele é?) paixonite minha de eras pré-históricas. Hah, vai dizer que vocês não previam essa...

Desde março que entrei na famosa espiral de coincidências que me aproximam mais ainda de alguma banda. Videos, bootlegs e raridades apareciam e a "voz interior" dizia para pegar tudo que eu não iria me arrepender - e ela não poderia estar mais certa. A coisa toda culminou depois que consegui achar os discos que me faltavam em 320kbps - e logo depois em FLAC. Uma festa para os ouvidos, literalmente. E o mais curioso é notar que todo o carinho pela banda cresceu baseado puramente na música - contando todo o tempo que os "conheço", só fui ler agora sobre a trajetória dessa banda tão subestimada. Foram passados pra trás pela gravadora, tiveram vários problemas internos - pombas, tinham um líder com medo de palco, como se não precisasse de mais nada... Não é à toa que já ouvi que eles costumavam tocar versões aceleradíssimas de suas músicas ao vivo - não me espantaria em saber que era para o show acabar mais rápido. Para encurtar a história (tarde demais), não era uma banda de estrelas, sex symbols ou qualquer coisa que vende fácil - era uma banda de músicos excelentes com incríveis noções de composição. E já contei que eles fizeram um dos melhores videos sobre a própria história da banda?



E por onde você, leitor interessado, deve começar? Não faço ideia. Os discos de 1978-1979 são os meus favoritos - mais precisamente "Go 2", que depois fui saber que é um dos mais criticados (reforçando uma tendência minha em gostar dos discos "esquisitos", sei que tenho gosto bem questionável). "Drums and Wires" é o clássico. "Black Sea" (1980) também merece, e "English Settlement" (1982) é um favorito entre os fãs. Os belos "Skylarking" e "Apple Venus Vol. 1" (1999) constam na lista dos "1001 discos para ouvir antes de morrer". Sem falar no "Oranges & Lemons" (1989) ali da foto, que poderá ajudar você a entender melhor porque mencionei os Beatles lá no início do post. Sim, eles não só conseguiram fazer música animada e estranha, mas também algumas coisas lindas de morrer - devo notificar que não me comovo com música "bonitinha" facilmente. Ainda acho que começar pelo princípio é o melhor, ou então pela coletânea de singles "Fossil Fuel" (1996) que mostra que antes da banda conceitual havia criadores de singles arrasadores. E daí pra frente é só a alegria de ter o privilégio da audição para poder apreciar tudo isso. Música com alma e coração, alguma ira (eles tem fama de "angry band"!) e uma cabeça maluquinha e inconsequente também. Fazer música pop de qualidade não é pra qualquer um. Mesmo.

Boa viagem (a.k.a LINKS).

Só pra constar, duas pequenas contribuições desta que vos digita as well:

- essa é uma inédita que saiu na Apple Box de 2005: XTC - Spiral

- e essa é o tema da querida série Wonderfalls, feita pelo digníssimo Seu Andrew John: Andy Partridge - I Wonder Why the Wonderfalls

Notinhas finais:

- Se procura mais sobre o XTC, esse post tá cheio de link relacionado. Divirta-se.
- The Dukes of Stratosphear é uma banda fictícia melhor que muita banda de verdade por aí.
- Depois de muito matutar, foi graças ao meu irmão que relembrei como soube da existência do XTC afinal. E não foi pelo Blur - foi ANTES.


- I've got one, two, three, four, five senses working overtime,
Sra. T. Beresford

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

O twitter é uma coisa engraçada


Pra quem não sabe ainda (alguém não sabe?), alguns dias atrás teve o fenômeno Xuxa no twitter. A apresentadora escreveu umas besteiras, muita gente malhou. Botou a filha pra escrever, ela errou uma palavra, e as pessoas malharam mais ainda. Xuxa não segurou a onda e apagou sua conta. Sim, e daí?

"Sim, e daí?" foi a pergunta que me fiz durante toda a saga. Qualquer lugar que eu olhava, tava lá alguém dando uma opinião/fazendo uma piada sobre o caso - e o pior, a maioria vinha de pessoas as quais eu (ainda) dava algum crédito e (ainda) fazia questão em ler sobre o que escreviam. E no fim as coisas estavam beirando o ridículo - algo que eu não via desde que, bem, MJ morreu. Rá!

Falar a verdade: uma tonta como a Xuxa exposta num veículo como o twitter nunca foi a mais sensata das ideias e não precisa ser nenhum Sherlock Holmes pra deduzir isso. A filha dela escrever uma palavra errada? "Nossa...", como se ninguém nunca tivesse escrito (e publicado) uma palavra errada na vida. Não é uma questão de "defender" uma parte e atacar a outra - o que me revolta nessa história é ver que uma besteira como essa vira notícia por dias quando na verdade deveríamos estar nos preocupando com coisas mais importantes, já que a maioria de nós brasileiros não está com a vida ganha - ao contrário de dona Xuxa que mesmo "burra" e "odiada" já tem o seu bem garantido.

Entrei no twitter ano passado, "recrutada" por amigas. Sua função principal em minha vida era facilitar a comunicação (a.k.a. papo furado) com elas quando eu estivesse em computadores com outros meios (msn, orkut etc) bloqueados. Mas, claro, sendo uma garota que assumidamente não sabe calar os dedos que tem, cheguei num ponto em que perdi a linha. Não aconteceu nada drástico não, só me dei conta de que tinha muito tempo disperdiçado ali, para nada: sim, é muito prático para receber notícias e ótimo para aliviar certas frustrações que eu não teria paciência de elaborar aqui até virar um post, mas é também meio... =S

Sem falar nas pessoas. Sabemos que não somos flor que se cheire. Será que eu quero que todo mundo (amigos, inclusive) saibam de tudo da minha vida? E será quando eles escrevem "estou deprimido e quero morrer" realmente estão pensando isso? Estão fazendo drama? Querem que eu dê um reply perguntando se quer ajuda pra morrer ou pra viver? E se eu não der, aí logo depois vem um "odeio ficar aqui falando sozinho" e aí eu fico desesperada achando que estão falando mesmo de mim e me sentindo a pior amiga do mundo... e aí, o que fazer?!? Fiquei paranóica. Confesso que cada vez mais estou perdendo o tato para com certas sutilezas e prefirindo um papo reto. Não hesito mais (ao menos, não tanto como antes) na hora de pedir a atenção de alguém pra bater um papo - especialmente online, diabo de meio de comunicação tão passível de equívocos - e faço questão que façam o mesmo comigo. Além de outras bobeirinhas que estavam me dando nos nervos mesmo: pessoas que só sabem fazer comentários "friamente calculados" para soar inteligente, outras que ficam ameaçando dar "unfollow" como se isso fosse algo importantíssimo, as que te seguem como que implorando para que você as siga (pra que isso, mael dels?!?), as que copiam quase tudo que você escreve e ainda tem a cara de pau de falar "nossa, você escreveu sobre isso? nem vi", as palhaçadas envolvendo celebridades que acabo sabendo mesmo sem querer (vide Xuxa) e spam spam spam spam spaaaaaam!... É, o problema não são os outros, sou eu. E quando algo me incomoda, o melhor a fazer é me retirar.

Parei de seguir pessoas (e bloqueei as mesmas) para que ninguém se sinta "pressionado" a ler e responder tudo o que tenho a dizer. Afinal, aquilo não é messenger, muito menos uma conversa (a não ser quando tem "@", hehe). Os posts não são secretos porque não tenho nada a esconder - mas se eu quiser escondê-los de uma hora pra outra, não precisarei bloquear ninguém, pois já estarão todos bloqueados. Simples, né? Enfim, ainda estou avaliando a utilidade deste recurso, bem como o propósito de minha conta. Por favor, relevem a minha maluquice. Enquanto isso, é a forma que tenho pra manifestar algumas frustrações, muitas paixonites e milhões de frases aleatórias sem sentido algum para quem vê de fora. Sempre da forma mais low profile possível. ;)

- You and the clouds will still be beautiful,
Sra. T. Beresford

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

And now, um post sobre tintas de cabelo...


Tinha um conhecido meu que sempre fazia a piadinha de que mulher nunca fica velha: ela fica loira. Nunca tive preferência pelos cabelos loiros, pelo contrário, mas não poderia notar que há uma preferência quase unânime pela cor na hora de disfarçar os cabelos brancos.

Fazendo um adendo à piadinha que inicia o post, já cheguei a comentar também que meninas não entram na adolescência: elas ficam ruivas. A preferência pela cor também é meio óbvia, não é pra menos: é a cor mais diferente (ao menos no nosso Brasil brasileiro) que se pode encontrar com facilidade da drogaria da esquina e aplicar escondida dos pais. A garota que não passou pelo ritual do "meu primeiro xampu colorante" e perdeu a cabeça ao ver que a cor não pegou no cabelo mesmo ficando mais de duas horas com aquela gororoba na cabeça não sabe o que está perdendo. Porque, se mesmo depois de não mudar absolutamente nada em seu cabelo você tomou gosto pela coisa, já era: você é uma mulher que gosta de pintar o cabelo. Ponto.

Eu comecei de forma gradativa: a primeira vez que usei um xampu tonalizante foi lá pelos 15 anos. Na verdade, queria ter os cabelos coloridos como das moças de bandas como The Murmurs ou Lush, mas não sabia como realizar uma proeza daquelas.


The Murmurs e sua famosa foto do encarte do "Saturday Morning: Cartoons' Greatest Hits"

E essa aí é a banda britânica Lush

Depois de algum tempo, resolvi tentar radicalizar - mas sempre da forma mais sutil possível. Porque pra mim pintar o cabelo não é sinal de rebeldia, revolta com as formas convencionais ou alguma outra bobeirinha do tipo: eu simplesmente acho muito bonito. E acho tão engraçado (e ligeiramente desanimador) ver até hoje pessoas com sérias restrições quanto a isso, enquanto tatuagens e piercings (estes sim definitivos e envolvendo riscos um pouco maiores que uma mera descoloração da juba) são vistos por aí e deixaram de ser "coisa de vagabundo e/ou doido" faz tempo.

Passei os quatro anos seguintes tentando colocar a cor vermelha no meu cabelo, e tentando convencer as pessoas de que gostava de cabelo vermelho, não ruivo. A primeira tinta que arranjei era uma importada comprada num estande do Mercado Mundo Mix, que custou uma pequena fortuna e eu, estudante ferrada que era, queria economizá-la o máximo possível. Fiz mechas descoloridas bem estreitas no cabelo e tasquei a tinta, que ficou num vermelhão vibrante de dar inveja ao Bozo. Só que o tempo foi passando e fui me habituando com as mechinhas até chegar a um ponto em achava imperceptível. Hora de alargar as mechas.

A cada ano que passava as mechas alargavam cada vez mais, a ponto de quase dominar a cabeça inteira. Mas nunca tive coragem de pintar o cabelo todo porque sabia muito bem que é um processo cruel para as madeixas e, modéstia a parte, gosto do meu cabelo o bastante para não querer detoná-lo totalmente num processo que deixa o cabelo legal, mas por tempo limitadíssmo: a maioria destas tintas não preza pela longa duração, ainda mais se você tem o cabelo oleoso e o lava com frequência. Dentre minhas pesquisas com as mais diferentes marcas de tintas, cheguei a algumas cores maravilhosas e duradouras, mas cheguei a usar também algumas que sumiam na primeira lavada. E lá ficava eu, com a parte de cima do cabelo praticamente toda loira. Argh.

Foi quando resolvi mudar o foco da tinta. Inspirada numa amiga que certa vez resolveu brincar de cabeleireira e descoloriu a parte de baixo de seu cabelo e de meu saudoso irmão para que eles virassem "irmãos de cabelo", achei que seria uma boa ideia aplicar a tinta numa parte que tivesse menos contato com o sol e assim talvez a cor demoraria mais a desbotar. Coincidência ou não, a tinta parece durar mais, eu ainda não enjoei de sua localização quase escondidinha (mesmo depois de MUITO tempo), e mesmo pegando quase metade de minha cabeça não fica um visual exagerado. Resumindo: felicidade plena para esta pobre viciada em tinta de cabelo, que sente até falta do cheio desta quando desbota totalmente de seus fios.

Em todos esses anos, até cheguei a variar nas cores: abóbora fluorescente, rosa pink, roxo... mas sempre acabo voltando para o meu vermelho. Os tons de vermelho mudam conforme o(s) produto(s), e o meu favorito até hoje é o Nuclear Red que brilha na luz negra e fica radiante durante o dia, mesmo nublado. Quando não estou com o cabelo pintado eu sinto falta da cor em mim, há uma necessidade incontrolável de sair me vestindo de vermelho para compensar, pois parece que está me faltando uma parte.

E, agora que me dei conta que já são 14 anos de química capilar, posso dizer que falta uma parte importantíssima, sim!

- Yes, everything decays;
Sra. T. Beresford

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Não acredito que isto não é um post sobre música (ou quase)


Outro dia tive a notícia de que a filha de uma amiga de minha mãe (com mesmo nome e faixa etária desta que vos digita) estava em coma, com a metade superior do corpo totalmente queimada, pulmões e rins funcionando precariamente e os membros inferiores gangrenando por falta de circulação. O pior foi saber que ela chegou a tal estado após sofrer um terrível (e até certo ponto banal) acidente em casa, algo que poderia acontecer com qualquer um de nós - ousaria dizer que eu já presenciei/sofri casos no conforto do lar que poderiam resultar em coisas bem piores, e que por "sorte" (ou qualquer outra coisa que seja) nada aconteceu. Mas esse é apenas o evento mais estranho dentre vários outros menores que aconteceram neste mês de agosto para reforçar a teoria do "mês de desgosto".

Eu, dentro do que acredito, acho que todos aqui passam pelo que merecem - e tem plena capacidade de aguentar o tranco, por mais que achemos que não. Mas em certos momentos as crenças são postas à prova e tento repensar as coisas de forma a, se possível, extrair algum sentido - em vão, claro.

Estou naquela fase "de saco cheio de tudo" que me ocorre de tempos em tempos - ao menos uma vez ao ano. Já reparei que tal fenômeno também ocorre com outras pessoas (aparentemente) normais, o que suaviza um pouco a coisa para o meu lado, mas não quer dizer que isso me deixe feliz porque durante esse tempo reconheço que fico uma pessoa insuportável. Mais uma vez não estou satisfeita com o rumo que minha vida tomou e mais uma vez estou naquele velho dilema: será que está na hora então de mudar tudo (mais uma vez)? "Mais uma vez", eis o problema. Se acredito que todos passam por aquilo que bem merecem, será que o meu "teste de paciência/resistência" por aqui é tentar, falhar e recomeçar do zero? Tudo bem, não existe vida estável nesse mundo... mas, tentando ser bem empírica e usando a estatística posso dizer que há a probabilidade de que minha vida seja mais instável que a da maioria que conheço (freelas inclusive). E, o pior: instável numa forma estável. Ou seja, as coisas só funcionam por um breve instante, e quando parece que tudo irá deslanchar maravilhosamente bem, vai tudo por água abaixo. E só dará certo novamente se eu deixar tudo que fiz até então de lado para iniciar algo novo, como se eu não pudesse acumular aprendizado - só coisas pingadas das fontes mais aleatórias para que eu tentasse fazer com que elas se complementassem.

Nem precisa ser formado em psicologia para pensar que eu mesma me saboto para as coisas não darem certo e eu ficar me lamentando aqui (aliás, uma das coisas que mais odeio nessa vida), se não fosse por um mero detalhe: eu sou preguiçosa demais para pensar que é uma boa ideia ficar me aborrecendo e tentando, tentando, tentando ad infinitum. Por mim, contrariava toda a subjetividade livre e já vinha com um roteiro de como seria a minha vida, tipo "Admirável Mundo Novo" - seria tão mais prático... Heh, nunca estamos satisfeitos.

O pior de tudo nessa história é o sentimento de "saco cheio" que tenho. Estou a um passo de virar de vez o tipo de pessoa rabugenta que me irritava profundamente em outros tempos (e olha que sou consciente de que posso ser BASTANTE rabugenta em determinadas ocasiões). Mas desta vez acredito que esteja batendo recordes de intolerância para com o próximo. Não quero que isso aconteça, mas estou com preguiça de ouvir o que pessoas próximas tem a dizer; estou com preguiça de conhecer novas pessoas e ter que parecer interessante a elas (coisas que não sou, interessante e mentirosa, rá), bem como estou com preguiça de ouvir os esforços das pessoas em serem simpáticas comigo. Mas também não sou do tipo que acha que a solução é se matar ou vou virar heremita e fugir para as montanhas - isso é para os FRACOS.

Porém, o medo permanece. Tenho medo de estar perdendo de vez a energia, a joie de vivre. De ser o tipo de pessoa frustrada e amargurada que tentou, não conseguiu e não se deu bem nem no que arrumou para compensar a frustração - ou seja, frustrada 3 vezes, quando poderia ter me frustrado apenas em não tentar (e compensar de outra forma), ou de tentar a não conseguir (e partir pra outra). Nunca quis e não quero ser esse tipo de pessoa, mas está cada vez mais difícil de reagir, arrumar a maquiagem borrada, sorrir e dizer que o show tem que continuar. A paciência acabou, e só me resta torcer para que seja algo temporário - mais uma vez.

Soubemos que a moça do início do post veio a falecer hoje de manhã. Não posso deixar de manifestar o meu alívio. Se o acidente que sofreu e suas consequências foram o seu "teste de paciência/resistência" por aqui, ele foi radical - mas relativamente breve. E ela foi bem sucedida em seu cumprimento.
Vai na fé que você tá bem amparada, xará!

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Ainda bem que nem tudo são tragédias. Especialmente se pararmos pra pensar em como o mês foi animado no quesito música, a Eterna Salvadora das Almas Atormentadas. O novo Arctic Monkeys com produção de Josh Homme, músicas do Muse (uma chapada de Queen, outra de Britney Spears: quem sabe agora param de compará-los ao Radiohead - mesmo porque sou mais Queen e Britney que Radiohead. Sim, você não está lendo errado), uma do Pearl Jam (foi nesse mês, né? alguém me corrija se estiver errada), a confirmação de três shows do Faith No More no Brasil até o momento, e O NOVO SINGLE DO WEEZER que vazou hoje! Isso sem falar no 45:33 remixado do LCD Soundsystem que finalmente caiu na rede e satisfaz a secura enquanto o novo filhote do querido James Murphy não fica pronto.

Até a velha guarda se manifestou este mês. Enquanto o Devo enrola a gente com a data de lançamento de seu novo disco, os intrépidos irmãos Mael a.k.a. Sparks apresentaram no último dia 14 um musical feito para a rádio sueca, a ser futuramente lançado como o vigésimo segundo álbum de carreira da dupla."The Seduction of Ingmar Bergman", com partes em sueco e em inglês, conta a suposta história do lendário diretor após sua ida para Hollywood e suas surreais tentativas de adaptação à tal "Capital do Cinema". Foi a primeira vez que sintonizei uma rádio online para ouvir o lançamento de um disco, assim como foi a primeira vez em que presenciei as primeiras reações dos fãs, de forma quase imediata. Quando me dei conta de que acompanhava um evento que acontecia do outro lado do mundo com mesma emoção que ouvintes dos mais diferentes lugares me senti como parte de uma sociedade secreta ou algo assim. E vi que , dependendo da ocasião, até mesmo ficar sentada de cara pro computador pode acabar tornando-se algo mágico.

Nesses momentos em que estou cansada da humanidade, me pergunto se a música é que engrandece o homem ou o talento do homem que engrandece a música. Ai, essas questões Tostines... XD

- Exercise is good for you,
Sra. T. Beresford

sexta-feira, 31 de julho de 2009

A GRANDE DESPEDIDA, digo, ESCAPULIDA.


Segundo o wikipedia, The Great Escape, o quarto disco de estúdio da banda inglesa Blur foi lançado em 11 de setembro de 1995. Ou seja, estará completando 15 anos em 2010, enquanto um outro evento mais sinistro nem terá completado ainda uma década de ocorrido. E uma coisa não tem nada a ver com a outra. Aliás, nem sei até onde este post será sobre um disco - afinal, isso aqui é um blog: falo de moi antes de mais nada. =D

Também sei que não é exatamente o momento para se falar desse disco, afinal não é nenhuma data "redondinha". Poderia esperar pelo ano que vem, ou então ter escrito isso há 4 anos - ou então escrever sobre essa história de volta-não-volta da banda que já rende há tanto tempo a ponto de me irritar mais que animar... Mas prefiro falar de coisas boas.

Falar de The Great Escape é revelar aos meus dois leitores algumas das várias teorias estapafúrdias que teimo em criar para meu belprazer - eis duas que tentarei explicar da melhor forma possível, vamulá:

- O melhor disco não é necessariamente o seu disco favorito:

Se uma pessoa que tenha a infelicidade de ainda não conhecer a obra do Blur pedir a minha opinião sobre por onde começar, não hesitarei em recomendar Modern Life is Rubbish (1993), o melhor álbum que eles lançaram até hoje. Esse disco é tão ridiculamente bom que considero superior à tão aclamada obra-prima Parklife, de 1994. Mas isso não quer dizer que ele seja o meu disco favorito, uma vez que este posto é ocupado com honras absolutas pelo disco a ser abordado neste post.

- O conceito de Música Pop Perversa:

Não sei porque acabei escolhendo este adjetivo em particular. Pode ser também Música Pop Bizarra, Deturpada, ou qualquer coisa do tipo - o que importa é o que isto implica... Por exemplo, sempre que vou conhecer alguma banda nova eu gosto de verificar em qual gênero ela está enquandrada/tentando se enquadrar para saber o quão petulante ou mentirosa ela pode ser. E, claro, acabo alimentando certas expectativas baseadas nisso - se estou prestes a ouvir uma banda considerada avant-garde, a última coisa que imagino é me deparar com algo "fácil". Por isso mesmo o que eu gosto é de ser pega de surpresa: ouvir uma banda que superficialmente soa a coisa mais pop do mundo, até você se dar conta de que as coisas são mais complexas do que se imagina. Ou vice versa. Isso seria a música pop perversa, a que faz o grande favor em distorcer todos os chavões do gênero e com isso dá algum sabor e esperança aos pobres ouvidos e coração sedentos de música pop mas diferente desta que vos digita. Pop music... with a twist. ;)

Resumindo: o Blur é uma daquelas bandas que a sua mãe até pode gostar de uma ou duas músicas, mas que nunca encararia um disco por inteiro porque acharia uma grande bobagem ou muito maluquinho. Ou você até poderia colocá-los como música ambiente para alegrar aquele almoço de família, mas chegaria um momento em que alguém perguntaria que diabos era aquilo. E "The Great Escape" talvez seja o disco que melhor representa isso - e, por conseguinte, é o meu disco favorito do Blur.

Claro que fatores subjetivos de tempo e espaço também estão ligados à tamanha predileção. Quando virei assumidamente uma fã apaixonada pela banda, Parklife já tinha sido lançado e o Blur já tinha se estabelecido como uma das melhores bandas do último segundo da Grã-Bretanha. Tinha decorado todas as letras de todos os discos até então lançados, já sabia de tudo (ou melhor, até mais do que gostaria) da vida de seus integrantes e aquela coisa toda pela qual garotas de 14 anos de idade** passam quando caem de amores por alguma novidade. E, para minha felicidade, um ano depois de lançado seu último e elogiadíssimo trabalho o Blur já estava lançando um disco novo. Ou melhor dizendo, o terceiro disco em três anos seguidos: não é segredo nenhum que "Modern Life is Rubbish" (1993), "Parklife" (1994) e "The Great Escape" (1995) tratam-se de uma trilogia fechadinha em sua cápsula temporal brit.

Este último chegou na minha casa por correio dias depois de oficialmente lançado no exterior. Foi o primeiro disco deles que eu acompanhei desde o lançamento, e estando no auge do amor pela banda. Por aí já dá pra imaginar o frenesi. Lembro até hoje da emoção em abrir a embalagem desvairadamente para logo colocá-lo no aparelho de som, e ficar arrepiada já nos primeiros segundos de "Stereotypes" - era um início nervoso, bem diferente das introduções dos discos anteriores. Pelo encarte também já dava pra perceber que havia algo de estranho naquele disco - mesmo sem saber exatamente o que era. Ironicamente, foi a partir deste disco que parei de acompanhar as fofocas sobre a banda - parei de importar revistas porque elas na maioria das vezes se limitavam a acompanhar a disputa de popularidade entre eles e o Oasis, o que sempre achei uma grande perda de tempo e disperdício de papel. Meu curso de inglês também parou de disponibilizar revistas de música, provavelmente porque eles se cansaram de ver o quão mutiladas elas retornavam quando retiradas por certas pessoas (oi?). Outro agravante sem dúvida foi a chegada da internet. O Blur foi o primeiro website que eu vi anunciado na vida, (ou melhor, numa propaganda do disco em questão) ainda lá em 1995 - uma "novidade" que recebi de forma infeliz porque odiava computadores, e sabia que internet era algo que não veria tão cedo (só teria em casa cerca de três anos depois, e a primeira coisa que eu faria seria visitar o supracitado site e buscar as letras do famigerado álbum seguinte do Blur, o que tem "Song 2").

Devido à falta de fontes, eu não sabia o que tinha acontecido ao Blur na época para saber o porquê deles fazerem o disco da forma que foi - depois, o tempo passou e perdi a vontade de buscar tais informações, mesmo porque eu já tinha formado toda a minha visão sobre o disco e toda e qualquer história que eu soubesse agora não faria diferença. E essa visão é bem óbvia...

Trata-se de um álbum recheado de cinismo, num grau beeeem acima dos anteriores (e, ousaria dizer, dos que vieram depois também) - como se esses já não fossem irônicos o bastante na sua forma britânica de ser. As relações amorosas ("Stereotypes", e principalmente "Fade Away"), as sociais ("Charmless Man") e o indivíduo são postos de forma tão patética que não há como eventualmente você se identificar com algo e se sentir mal com isso. E com uma base musical animada, pop - o que torna tudo mais cruel. Rancor, desapontamento, desilusão: sempre tive uma certa fascinação por discos (lembre-se, mesmo sem estar necessariamente dentre os meus favoritos) em que banda/compositor conseguem colocar neles toda a sua insatisfação e desgosto pelo rumo o qual sua vida tomou em decorrência da fama - e às vezes nem precisa escrever letras sobre isso, porque a música em si já é tão carregada que nem precisa: é o que dá o aspecto de algo "estranho mesmo sem saber o que é" que tanto me intriga. Isso sem falar de algumas das melhors baladas que o Blur já fez, e que constam em muitas listas de favoritas dos fãs - "Best Days", "The Universal" (com seu clipe inspirado no filme "Laranja Mecânica" de Stanley Kubrick, e talvez um dos grandes responsáveis em transformar este num grande lugar-comum hoje em dia), "Yuko & Hiro" e a minha favorita (aliás, uma das minhas favoritas do Blur no geral) "He Thought of Cars". Como se não bastasse, os singles de "The Great Escape" tem alguns dos melhores lados-b da história da banda - só perdem para, óbvio, os lados-b de "Modern Life is Rubbish" - "One Born Every Minute", "Ultranol", "No Monsters in Me" e "Tame" poderiam estar num álbum ou mesmo best of. E refletem bem o clima estranho do disco.

Foi quando eles se deram conta que caíram no conto do vigário da fama e fortuna, que viraram uma banda de deslumbrados como qualquer outra escrava do showbiz. O que era pra ser uma cena para renovar o ar criativo da Inglaterra virou uma máquina de sugar dinheiro de menininhas de 14 anos de idade (alô-ou?), cujo combustível eram jovens nos seus 20-e-poucos-anos movidos a drogas. Gravadoras corriam atrás de toda e qualquer banda fundo-de-quintal que pudessem contratar e enfiar goela abaixo do público tentando se aproveitar do filão Britpop. O mainstream sugou toda a energia de uma nova geração de músicos em tempo recorde - e aquele foi o disco que dizia que o sonho daquele pessoal tinha acabado, mesmo que alguns não tivessem dado conta. Bem, talvez nem mesmo o próprio Blur tivesse percebido ainda até então.

O que o Blur produziu depois nunca mais repetiu o encanto desses três discos, e a tensão deste último. Não que eles sejam ruins, muito pelo contrário - mas levaram a banda a um rumo que acho difícil ter uma volta, rumo esse aliás que já era denunciado em vários pontos de sua discografia desde o princípio. Tanto que às vezes me questiono se o "Blur de verdade" é a banda dos discos que vieram depois, sendo esta trilogia uma mera tentativa friamente calculada em ser mais pop e chegar ao estrelato. Mas aí já é uma outra história...


No caso de baixá-lo - quem procura acha aqui.


- La la la la, la la la la, there are no monsters in me.
Sra. T. Beresford



** que podem se estender até os 30 anos ou mais - no caso de uma moça que não bate bem das ideias...