terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Queen of Las Vegas vs. Queen of Las Vegas

Que os B-52's são parte importante de minha formação musical, todo mundo (ao menos que me conhece) já sabe. Então nem preciso desenvolver o assunto aqui. 

O lance é que hoje alguém desencavou essa versão de "Queen of Las Vegas" no Facebook e me chamou a atenção. A verdade é que, mesmo tendo-a na caixa "Nude on the Moon: The B-52's Anthology" (aliás, autografada - hehehe), eu não tinha dado a devida bola. 

David Byrne, amigo da banda, foi recrutado para produzir o terceiro disco dos B-52's - chamado Mesopotamia. Seria a grande guinada de uma banda new wave engraçadinha com algum potencial para, quem sabe, tornar-se "algo sério" - uma art band ou algo do tipo, sei lá. Produtor e banda tiveram suas divergências e só 6 (de 10 músicas) foram finalizadas. A Warner Bros. resolveu lançá-las em 1982 como um EP para bancar os custos, e diz a lenda que rodam por aí edições diferentes do disco, dependendo da prensagem. Quando foi relançado em CD nos anos 1990 juntaram-o com "Party Mix!" (um EP de... remixes, claro) e esta seria uma edição mais "limpa" que a originalmente idealizada por Byrne. Foi a versão que ouvi primeiro, lá nos idos de 1994 - só conseguiria o mesmo em vinil anos depois, e confesso que nem lembro o quão diferente era essa tiragem nacional em relação ao CD. Pra quem prefere as mixagens originais ou nunca as ouviu, estas versões estão na rede

O EP é considerado por muitos fãs como um passo em falso na carreira dos B-52's. Críticos dizem que foi um esforço em vão, enquanto fãs de David Byrne preferem achar que este foi o melhor trabalho lançado pela banda. Independente da briga entre partes, eu gosto bastante do Mesopotamia - tanto a versão "clean" do CD como as mixagens originais do Byrne, com mais efeitos, dubs e canções mais longas. Não tem uma faixa que eu ache ruim - aliás, tem três de minhas faixas favoritas da banda, "Loveland", "Deep Sleep" e "Nip it in the Bud". Os arranjos são claramente mais elaborados que os dos discos anteriores, além de um aspecto mais "profissa" nos instrumentos usados - se antes os B's tinham teclados furrecas e walkie-talkies, agora tinham metais, percussão e acordeom. E é aí que (acho) a porca torce o rabo: parece que Byrne (que na mesma época estava fazendo o seu "The Catherine Wheel") não soube separar o que era interesse seu do da banda. Isso é ilustrado muito bem pela primeira versão de "Queen of Las Vegas", produzida por ele e que nunca tinha visto a luz do dia até sair na antologia citada no início do post, lançada em 2002: 


A música é boa? MUITO. O problema é que ela soa Talking Heads, David Byrne... qualquer coisa que não B-52's. Se alguém dissesse que é uma música perdida dos Heads com vocais de Kate Pierson e Cindy Wilson (cujas vozes, de fato, são inconfundíveis), era capaz de ter gente acreditando. 

"Queen of Las Vegas" saiu oficialmente (e bem diferente da primeira versão) no (agora sim) terceiro disco da banda, "Whammy!", produzido por Steven Stanley e lançado em 1983. Outro disco que não saiu exatamente como a banda gostaria, já que a ideia de Ricky Wilson e Keith Strickland era fazer um disco totalmente voltado para as pistas, de faixa única. A gravadora não aprovou, mas permitiu que abusassem do uso de sintetizadores e baterias eletrônicas. Um disco que foi razoavelmente bem recebido por público e crítica - e que contém a faixa mais famosa da banda em terras brazucas, "Legal Tender".




No que diz respeito a "Queen of Las Vegas", a primeira versão é mais grooveada, enquanto a segunda é mais dramática, mas sem deixar de ser também dançante. Pra mim, é difícil comparar - ambas tem o seu charme. Qual delas é mais B-52's? Engraçado, pra mim nenhuma das duas se identifica com o "velho" B-52's - dos dois primeiros albums - e nem com a banda que voltaria tempos depois, após a morte de Ricky Wilson. Curioso ver o papel de um produtor em momentos como esse, a que ponto ele pode mexer com a identidade de uma banda - e até que ponto isso é o melhor a ser feito... ou não.


Me lembrou o papo que tive com meu hômi outro dia, sobre como os melhores albums de certos artistas foram feitos quando estes estavam sob o pulso rígido de um produtor ou gravadora, enquanto trabalhos mais fracos/irrelevantes foram feitos logo quando estes tinham total liberdade para fazerem o que bem entendem. Mas isso é conversa pra outro dia... ;)


- Let me tell you I got the system,
Srta. Tuppence Crowley

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Quantidade de posts-querido-diário pela metade:

1) Sobre o dia que fiquei doente em sala de aula e descobri que tenho os alunos mais legais do mundo;

2) Sobre o dia que saí de pijama pela cidade - e foi ótimo;
    (além de sua incrível continuação, quando quase saí de cueca samba-canção pelas ruas do Rio)

3) Sobre (não?) estar num (anti?-)relacionamento;

4) Sobre a velha tendência de sempre de eu querer abandonar redes sociais/fóruns etc.

É, acho que é só isso até agora. Como se eu fosse a pessoa mais ocupada do mundo...

- Underwater,
Srta. T. Crowley

domingo, 5 de fevereiro de 2012

And now...

Uma das minha metas de ano novo era voltar a escrever aqui com uma certa frequência, de forma terapêutica. Por um lado, a falta de inspiração e preguiça imperam. Por outro lado, sabe aquela sensação de quanto menos você faz, menos tempo pra fazer algo você tem? Então acredito que reservar um tempo para exercitar a falta de criatividade aqui deve ter alguma valia, afinal. O bom é que um post como esse pode servir de "carta aos amigos para contar as novidades e quem sabe assim justificar o meu sumiço etc."

Talvez a coisa mais interessante que tenha acontecido recentemente foi ter sido recrutada como comparsa de Lex. Não sei bem exatamente como nem porque (nesse caso seria melhor perguntarem a ele, se é que ele sabe o que está fazendo...), não tenho experiência na área e não sei a diferença que faço ali. Mas se alguém te chama para  participar de algo legal, me parece uma grande besteira recusar. 

Eu, o Ned Beatty do Lex. Ou tô mais pra Srta. Teschmacher?


(Ainda?) Não me sinto confortável na posição que me encontro, uma intrusa acima de tudo. É o de se esperar: onde já se viu uma professora de inglês, mera entusiasta da música esquisita (às vezes, nem tanto) se enfurnar num programa, fazer busca de conteúdo, almejar produzir alguma coisa um dia? Não é uma questão de como as pessoas me veem lá (todos são, inclusive, uns amores comigo) - é como eu me vejo. É uma sensação curiosa: mesmo não me sentindo parte (porque não sou), eu gosto de estar lá. Será que um dia me adapto? Será que justificarei a minha presença lá?


- I stand defeated but I don't know why,
Srta. Tuppence Crowley





sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O que a Revolução Solar lhe reserva?

"Anos regidos pelo signo de Áries costumam indicar uma época de inícios, de ponto de partida literalmente para um novo ciclo. A pessoa tem mais energia para promover mudanças, e o próprio ano apresenta situações que ajudam a sair da estagnação. É sinal de renovação da existência. Como aumenta a independência e marca inícios, a pessoa pode decidir (ou receber uma proposta) para sair da casa dos pais, mudar de trabalho, mudar de cidade, ou viver outras situações que fortalecerão seu sentido de individualização e autonomia pessoal. É um momento de autoafirmação, onde dependências passadas são postas em cheque. Indica um momento de fim de dependências.


Seu ano astrológico tem a fogosa marca de Áries como signo-motor. Como Áries é o primeiro signo, trata-se de um ano excelente para iniciar novos projetos, reunindo a coragem e a ousadia essenciais para fazer algumas coisas acontecerem. Você provavelmente se perceberá com um impulso maior e com mais objetividade no tocante aos seus propósitos pessoais. Mas se prepare, pois anos arianos não são anos de descanso! Muita luta e inclusive alguns conflitos competitivos são esperados, o que não deixa de ser interessante, uma vez que é o conflito que nos move adiante. 

Áries é um signo regido por Marte - seu planeta regente para este ano - que não apenas era o deus da guerra, como também - e principalmente - era o deus da primavera, uma divindade agrícola que permitia o nascimento e crescimento de todas as coisas. A palavra Marte vem do latim Mars, que significa "crescer, tornar-se grande". Logo, um ano marciano é um ano de crescimento, de exercício do poder interior de luta, e envolve a idéia de assumir sua força e não ter vergonha dela. A despeito de muitos considerarem a agressividade como algo negativo, ela por si só não é nem boa, nem má. Depende de quem a usa. A agressividade é como o fogo, que tanto pode nos aquecer quanto nos destruir. É tudo uma questão de proporção, no final das contas. Você não deve se furtar a usar esta qualidade mais agressiva este ano, mas também procure se manter consciente para não causar estrago ao seu redor! 

Desafios estão em pauta neste seu ano: você estará certamente competindo, mas não necessariamente com os outros. Competição consigo é, indubitavelmente, a maior marca para este momento de sua vida. Você estará desafiando sua própria alma a ultrapassar estágios e tornar-se maior do que é. Por conseguinte, é um bom ano para "espanar a poeira" e sair da inércia, movendo-se para adiante." 



só um lembrete pra esta que vos digita.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

WAAAAAAAARM... leatherette

Nunca li “Crash”, o livro de J.G. Ballard – aliás, lembrei de baixá-lo há pouco tempo e já consta no topo da minha listinha de leitura futura. Vi o filme de David Cronenberg na época do lançamento e gostei – mas achei tão fora da realidade de uma garota de 16 anos que não sabia exatamente o que pensar a respeito. Fora que assistir ao filme junto dos amigos da época, rapazes com hormônios a toda e acompanhar suas reações, tornou-se um evento divertidíssimo à parte. Mais um filme que eu deveria assistir de novo pra saber qual é.

Minha relação mais intensa com a obra de Ballard (até agora) é "Warm Leatherette", música inspirada no livro lido por Daniel Miller na ocasião em que levou um pé na bunda de uma namorada (ô injustiça... :D). Miller é o fundador da gravadora Mute, mais conhecida por ser a casa do Depeche Mode e do Erasure (dentre outros) e Warm Leatherette é o lado B do único compacto que ele lançou assinando letra, música, e assumindo os vocais, sob a alcunha The Normal - o lado A, pra quem não sabe, chama-se "T.V.O.D." e foi o primeiro disco lançado pela supracitada Mute. 

O jovem Miller acreditava que, ao fazer música com apenas um dedo num sintetizador dava pra ser mais subversivo que toda a cena punk com seus poucos acordes e muita pose, e isso foi algo que me deixou encantanda quando vi o incrível documentário Synth Britannia – porque, contrariando um dos amigos que melhor me conhece e que certa vez disse que sou uma pessoa “punk”, na verdade eu sempre fui mais “synth”, pop. Isso já foi até tema de posts passados, mas não custa relembrar: colocou um “synth” no meio – synthpop, por exemplo – e a propabilidade de me agradar aumenta, e muito.

No fim das contas, o compacto teve sua importância no desenrolar do fenômeno synth na Grã-Bretanha no final dos anos 70/início dos 80. Porém, o lado B acabou ficando mais famoso que o carro-chefe – é só ver na wikipedia a quantidade de versões (homenagens/referências) que já foram feitas. A cover feita por Grace Jones é uma de minhas favoritas, e nada vai me assustar mais que uma versão feita em português que só consegui ouvir quando tinha conta no Spotify. E nenhuma, ÓBVIO, supera a versão original.


O tesão que sinto por essa música é meio inexplicável, especialmente pra quem não curte esse tipo de som (e se estende para a figura do próprio Miller, como na maioria das relações übergroupie que tenho) mas acho que isso não me coloca em condição de ser chamada de kinky que curte acidentes automobilísticos etc AINDA (dependendo da minha reação para com o livro, quem sabe? haha). Por outro lado, de certa forma tornou-se uma condição curiosa para a minha escolha de homens. E, na verdade, só me dei conta disso outro dia.

Estava discutindo com amigas sobre “músicas ideais que um homem cantaria pra gente pra nos deixar de quatro”. Azamiga comentavam sobre “I melt with you”, clássico do Modern English – de fato uma música linda e que se alguém cantasse pra mim certamente ficaria balançada. Mas aí, pensei... se é pra viajar de vez e imaginar coisas impossíveis de acontecer MESMO, que seja: "Quer saber? O homem da minha vida ia cantar "Warm Leatherette". Esse eu não deixaria escapar. Mesmo porque, quais as probabilidades de um cara desses aparecer?" 
Azamiga tudo riram de mim, claro. E devem ter ficado com pena tb, né, tamanha viagem a minha. 

Um cara que no mínimo conhecesse a música já contaria altos pontos comigo, imagine cantar. Teria mais efeito sobre mim que qualquer música bonita da música pop. E sei lá pq. 
Escolher uma música dessas, assim como vários outros "desafios" que proponho aos meus pretendentes (ser meio doido, gostar de música boa e/ou esquisita e por aí vai), no fundo muitos poderiam achar que são impecílios criados para eu evitar envolvimento e continuar sozinha (que é bem mais conveniente). "Ser muito seletiva". Nem sei se a questão é ser seletiva - é que pra ficar com alguém que não tem nada a ver contigo eu prefiro ficar a sós com minha ilustre companhia. Evita a fadiga. Não é problema.

O problema é: e quando um cara desses aparece? 

- You can see your reflection / In the luminescent dash
Srta. T. Crowley

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Das maratonas discográficas no tratamento da ansiedade

Só bem recentemente consegui (já não era sem tempo) me dar conta do quão ansiosa sou. Algo que refletia em meu corpo e até no gosto musical - lembrem-se que sou uma pessoa que ODEIA baladinhas e qualquer música "mais devagar" mais que qualquer coisa na face da Terra. Mas só fui perceber meeesmo quando cheguei ao ponto de, por exemplo, não aguentar mais ver um filme inteiro sem ao menos dar uma aceleradinha básica numa cena sem diálogo, ou ouvir uma música favorita pela metade, no esquema "Pronto, já ouvi o solo que eu queria. Próxima". Fazia isso direto quando ouvia música no celular no ônibus de volta para casa - isso antes de arrumar um com aplicativo para escroblear faixas e manter meu last.fm mais fiel à realidade. Agora, o foco da minha neurose mudou um pouco - ouço as músicas por inteiro, mas ai delas se não forem escrobleadas ;D


Já sei que tenho um poBRema, agora é tentar dar um jeito nisso. Tô tentando prestar mais atenção nos meus atos, ver até onde são apenas reflexo dessa ansiedade. Enfim, tentando pegar mais leve - coisa que talvez eu fosse muito boa enganando (se é que tem alguém por aí que me acha a pessoa mais tranquila do mundo).


O pior em minha ansiedade é que não tenho uma vida estressante. Trabalho num lugar que adoro, gosto do que faço, adoro meus colegas de trabalho, adoro meus alunos - o único porém é a imprevisibilidade da coisa, que reflete no salário. Mas nada é perfeito, não é? Então será a ansiedade uma forma que arrumei pra compensar essa suposta tranquilidade? Tipo: "A VIDA NÃO É UM MAR DE ROSAS, ENTÃO CORRA!!!" Tá, vou correr. Pra onde? Sei lá. Tenho que estar SEMPRE fazendo alguma coisa, porque logo já terá outra a ser feita, e isso também vale para o lazer (eis o problema). Tenho que ver esse filme correndo, pq logo já tem outro na fila. Tenho que ouvir essa música que eu amo correndo, pq já a ouvi milhões de outras vezes antes e tem quase um terabite de músicas inéditas pra dar conta e ainda não cheguei na metade, e sabe lá se nessa parcela de desconhecidas estará a minha próxima música/banda favorita?
Acho que quero sempre ter AQUELA sensação mágica que tive quando ouvi AQUELA música maravilhosa pela primeira vez. E quero que ela se repita o máximo de vezes possível. Como uma droga.


Me pergunto se só eu passo por isso ou se é reflexo dos tempos e acontece com todo mundo. Eu sei que é uma preocupação idiota, mas... fazer o que? Preocupação idiota esta que está me fazendo adquirir novos hábitos. Um deles é o de fazer "Maratonas discográficas".
Virei adepta de desencavar alguma banda em especial e ouvir tudo de uma tacada. Resolvo arrumar a discografia (mais que) completa de alguém na maioria das vezes por 1) frustração de não ter conseguido na época, por falta de dinheiro etc.; e 2) por despeito, em ter tudo tão facilmente agora. Ouço tudo de uma vez por ser, antes de mais nada, muito prático. Já tentei ouvir de pouquinho em pouquinho discos/bandas que estavam na fila desde 2009 e adivinhe só? Me perdi na maioria de vezes. E depois haja last.fm pra me ajudar a saber se ouvi todos os discos daquela banda e/ou aquele disco por inteiro. Demoraria ANOS para eu finalmente conhecer todos os trabalhos das bandas em questão, caso seguisse assim (isto é, se eu um dia conseguisse ouvir tudo). Sem falar que quando vc tem mais de 20 albums da mesma banda, até o last.fm começa a te embananar. Isso não ajuda em nada a minha ansiedade, sabe?


E então, só depois de já ter ouvido TUDO da bola da vez é que irei atrás da discografia de uma nova vítima digna, o que é um tremendo desafio para mim e minha (falta de) paciência, pois a vontade de sair baixando o mundo 24h por dia é grande (pena que a minha internet não deixa). Acho que a origem de tudo é falta de disciplina mesmo, algo que ainda estou aprendendo. No tapa. O interessante é que a maratona, que quase parece um castigo no começo ("ainda preciso ouvir 13 GB - prestenção na doença da pessoa, eu falo em gigas, e não álbuns ou canções -  DESSA banda? Não vou conseguir"), mas até deixa um pouco de saudade e sensação de vazio quando chega ao fim ("E agora, pra onde?") e acabo até demorando um pouco para estabelecer uma nova "meta", em pensar em algo novo para se ouvir.


Bom que acabo indo atrás de discos que, como disse antes, sempre quis ter - então acaba sendo uma experiência muito legal no fim das contas. Nessa história, voltei a frequentar sebos (além dos sites de venda de usados, claro), lugares esses que eu não frequentava desde os 15 anos talvez? Revi amigos ex-donos de lojas (o que é uma pena) e analiso mais uma vez a minha arqueologia musical pessoal. E me dou conta de que, de repente, nem sou tão ansiosa assim - afinal, tiveram discos que esperei 23 ANOS para comprar e finalmente os tenho em mãos! Isso sim é tempo de sobra pra passar a vontade - e ela voltar mais uma vez com força total. 


- I haven't changed my perception, I haven't lost my protection
Srta. Tuppence Crowley




sexta-feira, 23 de setembro de 2011

tomorrow's just another day

Desde a semana passada eu tô no meio de um post que tá um verdadeiro parto. Muito pessoal, muito nostálgico, que não sei se tá interessante de se ler e nem sei se vale a pena ser publicado. Enquanto sofro com essa dúvida cruel, tive uma ideia legalzinha para um novo post. Na verdade, gostei dessa coisa de comentar sobre duas músicas que tenham algo (ou não) em comum, como no post do Wire e Squeeze.

Neste caso, as duas bandas são queridíssimas da casa. São cambadas de mais de quatro músicos que fogem do padrão "banda de rock". São bandas que tiveram (tem) influência de ska (apesar de que as canções citadas abaixo não tem NADA de ska) e mais um monte de coisa bacana - assim como influenciaram um monte de gente boa também. Sou DOIDA por ambas as canções, estão dentre as minhas mais mais DA VIDA (junto com Clover Over Dover e Regret, saca?). Os dois discos de onde ambas vieram também constam na minha lista de favoritos desde a adolescência. Sou TARADA pelas vozes dos dois vocalistas (e por eles tb, mas isso a gente releva. Por enquanto xD), especialmente nessas duas músicas. Ou seja, a coisa é séria. Não esperem favoritos de críticos aqui, sou trash excêntrica. Ha ha.

A frase da vez é just another day. Muitas notas, Maestro Zezinho:

MADNESS - Tomorrow's just another day


O Madness é uma banda engraçada (assim como a que vem a seguir), e ou vc "saca" qual é a deles e cai de amores, ou vai achar tudo uma grande bobagem. "The Rise and Fall" é o meu disco favorito deles e eu já meio que falei sobre isso num post véio pra diabo. "Tomorrow's just another day" é uma de minhas faixas favoritas (do disco e de todos os tempos), e olha que nesse disco tem vááárias canções que me dão vontade de chorar de tão boas. Tudo nessa música é tão legal e funciona tão bem em minha cabeça que nem sei o que dizer sobre ela. Só sei que é fantástica. Assim como a voz e maneira de cantar do Suggs. Bem, é o Suggs né? E o video é muito legal tb.

OINGO BOINGO - Just Another Day


Depois de Wire e Depeche Mode, chegou a vez do Oingo Boingo receber o tratamento merecido no meu last.fm e ganhar sua própria maratona (mas isso é papo pra outro dia, e provavelmennte renderia um post tão gigantesco quanto o do Devo - se bem que eu costumava falar bastante deles lááá no blog antigo, que fim levaram estes posts?). Enfim, as duas pessoas que leem o que eu escrevo no twitter já presenciaram altos fricotes meus por conta dessa música. Fui finalmente perceber a influência desta (até hoje) sobre mim outro dia, quando entrei numa loja de esmaltes e ela começou a tocar no rádio. Fiquei arrepiada como se fosse a primeira vez que a estivesse ouvindo. Arranquei os fones do ouvido sem pestanejar e fiquei fazendo hora na loja até a música terminar, simplesmennte pq não conseguia deixar de ouvi-la, quietinha no meu canto. Apesar de poder soar datada e/ou apenas mais um hit perdido dos anos 80 para alguns, para mim ela é épica, e Danny Elfman estava muito inspirado quando a gravou, tamanha a empolgação de seus vocais. Sabe aquele episódio de Seinfeld, do cara que fica mudo e manda o mundo se calar sempre que toca Desperado? "Just Another Day" é uma das que faz isso comigo, de forma tão inexplicável quanto o sex appeal de Elfman no auge da juventude - sim, porque a população feminina na faixa dos 30 anos poderia muito bem se dividir entre "mulheres que adorariam fazer figuração nesse clipe" e "mulheres que não sabem do que estou falando (e não sabem o que estão perdendo)". ;D
*Infelizmente essa "radio edit" aí do video deixa algumas partes sensacionais de fora, como "I will not fall in love/ I cannot risk the bet/ 'cause hearts are fragile toys/ so easy to forget", o que é deveras cruel. se puder escolher, fique com a versão do "Dead Man's Party". Aliás, ouça o disco todo. Oh well...  

Opa, faltou o Jon Secada nessa lista! Agora não falta mais xD

- I feel it all around, I feel it in my bones;
All my life, I can't get no rest. 
Sra. T. Beresford