(e redundantes)

O que mais gosto em ter um perfil no last.fm é poder constatar que as obsessões por bandas se manifestam das mais variadas formas. Certas bandas me dão vontade de ouvir o disco todo e outras, apenas algumas músicas; umas me dão vontade de procurar a discografia completa, enquanto outras um disco apenas é o suficiente; as que me fazem correr atrás dos discos originais, e as quais os mp3s em qualidade pífia me satisfazem. Sem falar nas músicas, as que posso ficar ouvindo repetidamente até perder a noção da realidade, ou as que não consigo ouvir mais de uma vez consecutiva - mas que acabo fazendo questão de ouvir ao menos uma vez ao dia, todos os dias. Como diria o poeta, "Some bands are bigger than others". São casos e casos, formas ligeiramente diferentes de se gostar de cada uma dessas bandas - mas no fim todas tem sua importância.
Tenho notado um número crescente de pessoas que sofrem dessas mesmas obsessões "breves" (entenda-se por breve qualquer período de tempo que pode variar de dias a anos, hah), o que é algo um tanto animador. Nunca escondi de ninguém que tenho crises dignas de riso (evocadas, na maioria das vezes, por pessoas que não entendem esse tipo de coisa - claro!), que também são desencadeadas e manifestadas de formas variadas e nem esquento a cabeça com isso. Já contei aqui que sou ciumenta, possessiva e bastante "fiel" à vários tipos de banda. Algo que só com o auxílio estatístico do supracitado last.fm pude começar a (tentar) compreender.
Atitudes são curiosas de se notar - tanto minhas como de amigos próximos - quando se trata em discutir o gosto musical. Atualmente, sempre que alguém vem falar comigo de alguma banda que eu amo de paixão, já chega quase que pedindo desculpas por não ter gostado do que ouviu. Isso acontece com mais alguém aí? Será que sou uma ditadora e não tô sabendo? O mais engraçado é que até então eu tinha a certeza quase absoluta de que é raro eu sair por aí recomendando qualquer coisa - comento que adoro, escrevo aqui toda uma história, mas é muito difícil eu sair por aí puxando os amigos pelo braço dizendo "VOCÊ TEM QUE OUVIR E GOSTAR" (como já vi muito amigo fazendo, aliás). Sei que tendo a ser bastante apaixonada na hora de me manifestar acerca de certas coisas (talvez seja isso que instigue tanto a curiosidade dos outros a ponto de quererem conhecer), mas como já fiz questão de contar em posts anteriores, eu não faço questão alguma de que as pessoas gostem do que eu gosto. O meu ciúme - talvez a maior justificativa para esse horror que sinto na hora de falar sobre música com alguém - acredito que seja decorrente de ter passado a parte da vida gostando de coisas que a maioria não aprovava, resultando na incrível habilidade em admirar a capacidade que pessoas tem em não compreender o que eu gosto. Adoro isso. Pura vaidade.
Pior que ver gente te julgando pelo gosto pessoal é notar um porrilhão de gente ouvindo exatamente a mesma coisa que você. O problema nem é existir outras pessoas na face da Terra que gostem das mesmas coisas que você (mesmo porque isso é inevitável): o problema é quando alguém começa a gostar de algo por influência SUA. Você quer manter aquele delicioso segredo muito bem guardado só pra você e de repente ele é acessado e compartilhado por vários outros e a culpa é única e exclusivamente sua! É a sensação de que uma parte sua é roubada sem cerimônia alguma - roubada sim, não haverá um "muito obrigado" por isso. E por mais que você queira que um mundo perfeito seja povoado por pessoas de irrefutável bom gosto (e neste caso você acredita que está fazendo a sua parte para melhorá-lo), há um pouco de rancor ao observar que por mais que gostem do que você os apresentou, nunca irão gostar de forma tão genuína e intensa como a sua (afinal, falamos de vaidade aqui) - isso sem falar quando a coisa vira uma espécie de competição, já que se os outros não tem a história que você tem com a banda favorita eles irão compensar de alguma forma - querendo saber mais que você, ou tendo mais que você, ou sei lá... Enfim, não há um relacionamento saudável entre você, seus amigos e suas bandas favoritas quando não está tudo em pé de igualdade. Ou, o extremo oposto: o respeito à hierarquia.
Gosto de acreditar que qualquer pessoa que realmente goste de música deve passar por alguma situação semelhante. Pessoas que não ouvem música apenas para cortar o silêncio do ambiente - é uma relação extremamente íntima, da música estar mais presente em sua vida que parentes e amigos e te entender melhor que estes. Ouço meus discos antigos e relembro de momentos, de pessoas que nem sei onde estão... e os meus discos continuam aqui, e ainda me dão prazer como na primeira vez que os ouvi. Ou, melhor ainda, misteriosamente renovam-se para meus ouvidos sempre ávidos por novidades é tão bom quando você descobre um detalhe que nunca tinha percebido naquela música/banda que você até então achava conhecer tão bem.
Tem bandas em que para ouvir apenas um album é uma verdeira luta. Parece que o disco de meia hora não acaba nunca. Enquanto isso, as bandas favoritas e dignas de ciúme são mágicas... acho que eu poderia ouvir seus discos os dia todo e nem iria perceber, e pediria mais. E adoro notar isso pelo last.fm. Sempre acabo tendo alguma surpresa quando analiso a minha biblioteca, por constantemente surgir novos dados sobre eu mesma nesta - afinal, se música para mim é algo íntimo, certamente a "library" revelará ao mundo muito além do imaginado. Mas, resumindo, é mais ou menos o seguinte: as bandas mais ouvidas são as quais sinto maior ciúme por serem as que eu tenho maior identificação e história - e por isso mesmo, sinto-as mais próximas, mais "íntimas". É uma conjunção de coisinhas, óbvio - dentre elas o tempo (quanto mais tempo conheço a banda, mais me acho dona dela) e o sex appeal (se é paixonite de tenra idade, então, nem se fala). Claro, não posso dizer que é uma regra estável, como já disse no início do post: há formas ligeiramente diferentes de se gostar das bandas, e de repente tudo pode mudar. E nunca se sabe quando aquela paixonite veeeelha e até mesmo um pouquinho esquecida pode voltar avassaladora, agora estampada lá no last.fm, para todo mundo ver e querer saber mais a respeito. Mesmo que a contragosto daquela que está alimentando toda aquela quantidade de dados...
Acho que no fim das contas tudo tem a ver com busca de identidade mesmo. Já somos categorizados em tantas coisas que fazemos de tudo para não querer que as pessoas fiquem mais parecidas conosco, especialmente no que concerne o gosto pessoal. Identidade E vaidade.
Não é à toa que a soberba é o pecado favorito de "vocês-sabem-quem" ;D
- I Bought Myself A Liarbird.
Sra. T. Beresford.

4 comentários:
Marianna,
Existem alguns códigos não acessíveis a todos os mortais. Vc conhece bastante a banda tal e indica a alguém. Esse alguém, com mais recursos do que vc, começa a devorar a banda com farinha e se torna um exímio conhecedor da tal. Se entende por mais recusos tempo para explorar na web, uma web potente, acesso às lojas gringas em viagens, um amigo influente e outros tantos. De repente, aparece a pessoa ensinando sobre a banda tal, com a discografia mais complexa do mundo que vc sequer imaginou, com detalhes que só vc sabia e que não dividiu nunca com ninguém etc.
Agora entram os códigos não acessíveis. Eu falo de alguns exemplos dos meus e vc projeta para os seus, que devem ser muitos mais.
Se eu for no wikipedia eu tenho em um clique a data de aniversário de Mark Mothersbaugh, com um bom contato eu encontro o DEVO no backstage ou encontro Os B-52s no camarim. Vc pode baixar o show do INXS, no Rio, pelo Youtube.
Mas eu soube do aniversário de Mark olhando na própria carteira social do cara, nas minhas mãos, mostrado por ele mesmo. No backstage do DEVO eu tinha uma foto representativa de duas décadas passadas que impresionou Mark pq tinha uma história com a banda. Com Os B-52s fui, em 1999 e 2009 o único fã no hotel e com um background para comentar com a banda. No camarim, Kate tocou no assunto de minha filha com minha esposa. No show do INXS, me lembro claramente das palavras e da brincadeira de Hutchence em Never Tear Us Apart. Mas isso não aparece eu nenhum vídeo pq original foi editado. Mas eu vi...
Marianna,
nessa hora se separam os adultos das crianças!!!
A diferença é: "vc conhece mas eu estava lá"
Bjs.
Tu reparou que o teu top 3 de banda do last.fm é composto de bandas relacionadas entre si através do próprio last? se eles fazem as conexões entre as bandas baseado pelo o que os top listeners ouvem, certamente vc já virou estatística, rs.
bjs
A
nossa, odeio ler coisas que escrevi há tempos atrás (quanto ao post "do ciúme de banda").
o mais engraçado não é ter que chegar para vc pedindo desculpas por não ter gostado da banda, mas sim por ter gostado! :p
Pessoal, acho que o post novo serve pra ilustrar mais um pouco o que eu quis dizer neste - no fim das contas o que importa é o que a banda significa pra vc, é o "vínculo" formado que nunca poderá ser repetido por outra pessoa pq as vivências sempre serão diferentes. Um coisa bem individualista - e tô pouco me lixando se estou sendo individualista! hahahahah
Confesso que tenho preguiça em correr atrás de recomendação de last.fm, e nem sei pq... a verdade é que tanto o Devo como o XTC as poucas coisas que eu tinha eram em CD ou vinil e eu não tinha condição de baixar o resto em mp3 - ou ouvir o CD no pc pegando as tags do freedb - pra ouvir usando o last. Fazer isso na discada nem tinha condição! Por isso eles demoraram para dar o ar de sua graça na minha library, mas também quando deram... viraram top 3 rapidinho! *___*
E o Sparks foi aquela história doida, de conhecê-los por causa do Telex! Acho que é a banda mais recente pelo qual virei fanática. Até por ser recente, não tem tanto do fanatismo pueril que tenho com as bandas das antigas (se eu fosse num show deles agora não sei se choraria feito louca, por exemplo), mas mesmo assim já sinto uma intimidade como se eu os conhecesse há aaaanos! =P
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