segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

is never enough


Para melhor compreensão deste post convém relembrar certos pontos essenciais:

1) Sou MUITO FÃ do LCD Soundsystem e, principalmente, de James Murphy. O motivo é simples: antes de ser uma banda trata-se de um grupo de amigos, "liderados" por um cara que não é exatamente um popstar.
2) Tive a sorte de conhecer pessoalmente o moço em questão, depois de alguns tropeços que renderam uma noite histórica.

Dito isso, acho que agora qualquer um que vá ler este post sabe da importância do cara para esta que vos digita. A minha banda favorita da década passada (que fez meu disco favorito também) talvez não seja a favorita desta década porque o big boss já falou que depois do último show em abril a banda encerrará suas atividades. Ao mesmo tempo em que sinto-me esperançosa em encontrar alguma banda boa por aí para suprir o fim do LCDSS e tornar-se a minha banda favorita desta década, tenho alguma dúvida de que seja possível aparecer alguém não só com alguma qualidade musical, mas que saiba brincar com as referências sem medo ("pra que eu iria disfarçar ou fingir que não existe uma referência que faz parte de mim?" Fingir que nunca ouviu música antes na vida e que tudo é inédito - ou que tudo já foi feito, então pra que fazer música nova?), saiba não se levar muito a sério mas em ser uma mera banda engraçadinha, e principalmente tenha respeito pelos fãs. Se o fim do LCDSS é da boca pra fora ou não, isso não vem ao caso no momento. O que acontece é que até segunda ordem esta foi a última vez que a banda veio ao Brasil e a última vez que eu os veria ao vivo. O que fazer então? Aproveitar o máximo possível.

Minha intenção era comparecer aos 3 shows marcados (Rio, SP, PoA), mas infelizmente isso não foi po$$ível. Por outro lado posso dizer que sou uma orgulhosa carioca empolgada que fez muita questão de contribuir para que a banda tocasse no Rio. No dia do show, fiquei apreeensiva: seria possível este show ser melhor que o histórico (e vazio) show no Circo Voador de 2007? Como estaria James? Não tinha contato com ele desde o ocorrido na Discoland e não sabia o que ele achava do fato do show ser bancado pelos fãs - enquanto que nos EUA os ingressos para os últimos shows são disputados à tapa e cambistas estão à toda, causando a ira de Mr. Murphy.

O show, como alguns já sabem, começa com "Dance Yrself Clean", emenda em "Drunk Girls" e "Get Innocuous!" e eu já estou pronta para morrer feliz por ter ouvido minhas duas músicas favoritas deles (no caso, a primeira e a terceira) ao vivo e à cores e elas soarem divinas. O show corre, James parece animadíssimo e extremamente agradecido pelo crowdfunding, algo que nunca fizeram por eles antes. Ele dá pulinhos, sai berrando, faz gracinhas com seu jeito tiozão. Lá pela metade do show ele anuncia algo como (não lembro exatamente como foi, pelos motivos óbvios) "A próxima música é para a Wonderfool (tem gente que acha que ele falou meu nome de verdade, e não o apelido D=). Wonderfool, where are you? Are you there?" ele disse, me procurando (ou será que ele conhece outra Wonderfool?) pela plateia. Morri umas mil vezes antes de sair me esgoelando na plateia até ele me ver. James abre um sorrisão, diz que essa é pra mim, as pessoas ao meu redor me olham sem entender patavinas e "All My Friends" começa. Morri mais ainda e ainda não acredito que isso é verdade. Mas meus amigos também ouviram a dedicatória, então acho que não estou imaginando coisas. =S
(aliás, se alguém tiver o video dele falando antes da música começar eu agradeceria MUITO).

O show continua lindo, perfeito. James solto no palco como eu nunca tinha visto antes e eu sorri (muito), chorei (mais ainda), pulei como se tivesse a metade da minha idade e abracei meus amigos como se aquele fosse o último show de nossas vidas. E, sorte nossa, era o Melhor Show de Todos os Tempos. Eu estava próxima à grade, mas não estava de frente à ele (e sim mais pra esquerda, perto da tecladista Nancy Whang) e pode ser viagem minha (tenho motivos pra isso HAHAHA), mas depois de All My Friends parecia que Sr. Murphy olhava em minha direção com mais frequência, ensaiando um risinho entre a cantoria/berraria e se aproximava da beirada do palco. Mas, resumindo: foi um daqueles shows que você se sente parte da história sendo escrita.

James se despede da plateia antes de sair do palco pela última vez. Vai para o lado de Nancy e para exatamente em minha direção, abaixa um pouco a cabeça e franze os olhos, procurando na multidão. E acena para mim, sorrindo. Aceno de volta, digo "thank you!" e mando um beijo - e ele manda um beijo de volta! E eu tenho vontade de pular no palco, me enfiar dentro de um dos cases e fugir com o LCD Soundsystem hahhahahahah. Mas já era tarde e não dava para ficar de badalação procurando JM depois do show. Mesmo porque no dia seguinte eu pegaria um ônibus cedo para SP: so, here we go!

No show de SP a banda não parecia tão animada como na noite anterior, provavelmente devido ao calor INSUPORTÁVEL (quase senti saudades do clima no Rio, credo!) que fazia lá dentro, fazendo o querido guitar Al Doyle (também do Hot Chip) tirar a camisa e mostrar todo o seu físico peso pena ^^. Não teve música alguma dedicada a alguém (hehehe) e James não me viu na plateia desta vez apesar de eu estar na grade, era longe. Mesmo assim, foi um show lindo e chorei horrores mais uma vez - a ponto de um rapaz ao meu lado perguntar algumas vezes se eu estava passando bem HAHA

Não demorou muito para James e seu comparsa Pat Mahoney (baterista do LCDSS) assumirem as picapes após o show numa outra pista, e claro que corri pra lá e de lá não saí mais. Perguntei para um segurança se tinha como eu ir à cabine do DJ, e ele me explicou o caminho e disse que era tranquilo - o sacana só não falou que eu teria que lidar com mais dois seguranças no trajeto. O primeiro foi fácil de convencer e logo me deixou passar junto com um grupo de empulseirados com acesso pra ala vip. Mas o segurança da área exclusiva estava determinado a não me deixar passar e dava dor no coração ver enquanto isso uma cambada de gente que tava pouco se lixando para quem estava tocando passando tão numa boa. A coisa de sempre.

Por um momento eu pensei em desistir de vê-lo, pois NADA que acontecesse naquela noite poderia ser mais legal que o ocorrido comigo na Discoland e no show carioca. Mas me dei conta de que esta poderia ser a última vez que eu veria/falaria com uma das pessoas que mais admiro, e que por acaso trata-se de uma das pessoas mais doces que já conheci. Ele tava a metros de distância e eu não podia desistir. Em minha cabeça passavam-se probabilidades absurdas e planos falíveis e eu não sabia mais o que pensar - então comecei a chorar. Por frustração de estar tão-longe-tão-perto, de ter ficado com vergonha de tantar entrar em contato com ele antes do show (como foi na Discoland), de não ter muito o que ser feito quando eu só queria me despedir e mais uma vez agradecer por tudo. Chorava também de felicidade, de ao menos poder estar ali e vê-lo. Só sei que chorei tanto na frente do segurança que eventualmente uma mulher da produção se aproximou, disse que não pôde deixar de reparar no meu pranto, perguntou se eu gostava dele tanto assim e se eu queria entrar na área exclusiva para vê-lo de mais perto. Adivinha a minha resposta? Falei que gostar era pouco e que se ela tava de brincadeira comigo que era melhor parar porque não se brinca com essas coisas. Ela mandou o segurança abrir o caminho para mim e eu entrei chorando mais ainda e agradecendo e sem saber o que fazer. Ela só pediu para que eu não entrasse na cabine do DJ, mas que eu poderia ficar em qualquer lugar nas redondezas. Obviamente eu obedeci e estacionei por trás da cabine, só admirando a dupla, que estavam de costas para mim, virados para o restante do público na pista. Mais lágrimas. O que poderia ser melhor que a Discoland, o show do Rio e eu estar na área vip a menos de um metro de distância do James?, pensei. Foi aí que o próprio vira-se de costas pra plateia e dá de cara comigo. Faço um ligeiro aceno com a mão e ele larga picapes, discos, iluminação, tudo o que estava fazendo com Pat Mahoney e vem ao meu encontro, me recebendo com um abração que parecia durar horas e o sorriso fofo de sempre. Morri milhões mais uma vez. Ainda abraçados ele perguntava junto ao ouvido o que eu estava fazendo ali, e disse nada além da verdade - que estava ali apenas para vê-lo. E ele "Oh, nooooo... thank you so much!" e eu é que agradecia mais ainda. Ele perguntou do show de ontem, se era eu mesma que estava lá e se eu tinha gostado. A minha resposta eu acredito que vocês deduzam facilmente. Enquanto conversávamos uma moça se aproxima, James comenta que eu sou a Wonderfool e ela solta um notório "AHHH it's YOU! James loves you! He loves the forum and he loves you!". MORRI. DE NOVO. Ela disse que ele falava muito de mim e que ela tava curiosa para me conhecer. Eu estava conversando com a Sra. James, uma moça bonita e simpática que definitivamente não fazia o tipo "esposa de rockstar" - cabelo preso, sem maquiagem. Ela me pergunta há quanto tempo eu o conheço e no que eu respondo ela brinca "nossa, você o conhece há mais tempo que eu!" hahahahahaha. Ela me ofereceu algo pra beber, perguntou em que eu trabalhava e falou sobre seu trabalho, falou mais uma vez que o James me adorava e eu comentei como eu o admirava. Ela me pergunta se eu estava no show do Rio e se tinha ouvido que ele dedicou a música para mim. Eu falei que ainda não conseguia acreditar que aquilo tinha acontecido, no que ela emenda: "na verdade ele queria te puxar pro palco naquela hora, mas a distância do palco e da grade era muito grande, ele não ia conseguir! hahahahaha". A cada minuto eu ficava mais embasbacada com o que estava ouvindo ali.

A noite seguia e sempre que ele vinha em minha direção ou simplesmente passava por mim ele estendia o copo pra brindar comigo. Brindávamos e começávamos a rir. Era tudo surreal demais pra mim. Nos abraçávamos, eu fazia cara de "não acredito que isso está acontecendo" e ele sorria. Conversamos sobre Petunia, sobre os últimos shows nos EUA que estão por vir (e sold out), falei como eu gostava do último disco deles, fui apresentanda a todos os amigos e esposas que estavam lá. Eu estava na Special Disco Version bebendo e dançando com James Murphy, algo que não imaginaria acontecer nem em sonho. Definição de paraíso. Não sabia se ria ou se chorava. Pisava (ou melhor, dançava) em nuvens com reflexos de discoballs. E assim foi até a hora em que ele me diz "sorry Wonderfool, but we have to go now" e fazemos cara triste xD

Só me restou agradecer por TUDO mais uma vez, pedir por uma foto e nós dois ficarmos fazendo "êêêê" na hora que a foto é tirada. No fim, James pergunta pela última vez (ele e a esposa me perguntaram isso várias vezes durante a noite) se eu gostei de estar lá com eles e se me diverti. Adivinha a minha resposta?

- I WAS THEEEEEERE!
Sra. T. Beresford

10 comentários:

Miss Stone disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Miss Stone disse...

Acho que a melhor palavra pra definir esse post é um "Awnnn" : ) Que lindo, lindo, lindo. Amei!
PS.: Só tem uma coisa... li esse post da mesma maneira que vejo um filme de amor e eu queria um final feliz. Portanto, não gostei dessa parte de "esposa do James", blé =P

Mais um PS.: Removi o comentário pq achei que tivesse na conta da Julia do Google. Disfarça.

Luísa disse...

SÓ UMA COISA: O_____O gente, que maravilhoso! fico muito muito feliz por ter sido lindo, Mari, muito mesmo! e ELE TE AMA! gente, isso é o sonho de toda fã haha HATERS GONNA HATE :D
não sei nem o que falar! espero que vc o encontre de novo <3 beijão!

Sra. Tuppence Beresford disse...

Que nada, Miss Stone! James era casadão há aaaanos? Aí se separou e está com essa moça há pouquíssimo tempo, então nem deu pra sentir ciúmes dela. Ele é mto low profile com essas coisas, tem gente que ainda acha que ele tá casado com a mesma mulher. Então, vai que essa tb não dura? hahahahaha Mas ela é muito gente fina sim.

Awwwwwwnnn, Lu!!! ♥

beijo, meninas!

Ana disse...

parece que esse post é um sonho, sério! mal dá para acreditar que aconteceu! e eu fico MUITO feliz por você! agora é ir para o Brooklyn e queixar moradia, HEHEHE! \o/

Nubz disse...

SOCOORRROO!! Ahh, como eu chorei lendo isso daqui, lembrei de toda a noite do dia 18/02 tuudo de novo, caramba. QUE VIDAA, MARIANNA, QUE VIDA!

Eu, que no avião encarava o que parecia ser um revólver e um cara armado dentro do transporte, repetia insandescidamente : "Já posso morrer feliz, só faça isso rápido" - Já tava disposto a largar tudo já, apostava que a vida tinha valido até ali.

Mas, nossa, a sua?! HAHAHAH, Vale muito mais, imagino como estar naquele Special Disco Version tão perto do JM era bem o Harem. HAHAH!

Caramba, fico MUITO feliz por você, muito mesmo. Hoje, comentei com os colegas novos que ando fazendo na faculdade que se existe algum ídolo na Terra que faça seu gosto, não se deve hesitar na hipótese de não vê-los. Foi a melhor coisa que fiz na vida! Maas de agora em diante, eu linko eles pra esse post e fica tudo ok.

HAHAH

DJr disse...

INCRÍVEL!
Eu vi ele te dedicando a música, pulei, chorei, gritei e dancei my ass off como um louco no show do Rio, mas tudo o que aconteceu depois... é SURREAL!
E só poderia ter acontecido contigo. Só com você uma história dessas tem sentido, pq vc é FODA!

Sra. Tuppence Beresford disse...

Ana, eu ainda me pergunto se eu não bati a cabeça durante o show de SP e foi tudo fruto de minha imaginação! Mas acho que o colega de trabalho do Cris tá aí pra me dizer que eu estava lá sim! HAHAHAHAHA Agora só falta eu ir na Luciana Gimenez dizer que estou grávida de JM e terei meu filho no Brasil! \o/

Sra. Tuppence Beresford disse...

Lucas/Nubz HAHAHAHAHAHHA eu tb penso assim - se eu admiro o trabalho de uma pessoa, faço questão de dizer isso pra ela. Mesmo pq eu gostaria que fizessem o mesmo por mim. Por sorte gosto de pessoas mais "acessíveis", mas isso é uma das coisas que me faz gostar delas ainda mais. Pessoas normais.
Depois da Discoland eu já dizia que poderia morrer feliz, mas depois dessa... dá vontade de continuar vivo em busca de mais dias assim, mas por outro lado, sei que isso é Once in a Lifetime, então... :(
Mas vamo que vamo!

Sra. Tuppence Beresford disse...

DJEI! Minha história com o LCDSS é entremeada com minha história contigo! Injusto vc não estar comigo nas vezes que encontrei com James. Vc tinha que estar lá! Mas espera só, um dia ainda iremos na Special Disco Version em NYC!
Família LCDSS hahahha <3