sexta-feira, 27 de maio de 2011

E o Paul?

Os que costumam ler isso aqui (se é que alguém o lê) já sabem que não tenho nenhuma relação de fanatice com os Beatles, que minha lista de bandas preferidas é extensa antes deles e yadda yadda yadda. Por outro lado, eles seguramente ostentam o primeiro lugar na lista de bandas que respeito, antes de mais nada por ser A banda que eu melhor conhecia antes mesmo de me entender por gente, na época em que eu MORRIA de MEDO das capas de Magical Mystery Tour e principalmente dessa compilation aqui. Devo tudo à minha mãe, claro: beatlemaníaca por excelência, adoradora de George Harrison antes mesmo disto sonhar em ser algo cool e que, mesmo não podendo ter tudo o que ama dos Beatles, ela ama (e muito) tudo o que tem (o que não é pouca coisa, até). Isso provavelmente foi um dos fatores que me fez ir atrás das "minhas bandas" - Os Beatles são da minha mãe, eu que ache outra pra mim.

(parênteses engraçadinho: quando eu tinha 8 anos George lançou "Cloud Nine", e minha mãe ganhou este vinil de aniversário. Lembro do seu chilique ao ver um novo album de George depois de algum tempo e bem lembro do quão desapontada fiquei quando vi toda a sua preferência pelo tal guitarrista - até então, eu poderia jurar que a BANDA FAVORITA de minha mãe eram os Beatles, então de onde teria vindo esse cara para roubar a primeira colocação agora? Sim, segundos depois fui devidamente esclarecida que este George era o mesmo do "John, Paul, George and Ringo". AAAh, então tá! hahahahaha)

E devido ao respeito que tenho por eles que simplesmente não consigo levar à sério qualquer um que venha com o velho discurso pronto de que eles são overrated e tals: quem diz isso não sabe nada de cultura pop (na minha opinião) e não merece montar essa banca. Deve-se no mínimo respeitar porque, né por nada não... Você pode não gostar, mas a(s) sua(s) banda(s) favorita(s) certamente gosta(m), já diria o poeta. ;D

E por isso mesmo que não gostaria de jeito nenhum de perder um show de um beatle, qualquer um que fosse (Paul nem é o meu favorito). Me questiono se os outros teriam as balls (ou "espírito empreendedor", diriam alguns - pra não dizer algo pior) que Paul tem para continuar fazendo tours e shows grandes por aí até hoje. Já disse que não sou especialista em Beatles (tanto que o Ringo é o meu favorito! hahahaha =P), mas eu acho que eles não teriam não. Ou seja, é um trabalho sujo, mas alguém tem que fazer. E nesse caso... Paul, pode contar com o meu apoio! Ha ha ha, como se ele precisasse...

Antes de mais nada, fiquei impressionada com a organização: apesar de filas imensas e os labirintos que nos deixavam tais como ratinhos de laboratório, não demoramos para adentrar o Engenhão apesar de termos chegado tarde (tudo bem que somos ralé e fomos de pista, provavelmente a área que vendeu menos ingressos em tempos de pista prime, hi hi hi). Já tive uma grande cota de shows-perrengue nessa vida e dá até ânimo e esperança na humanidade em ver que as coisas podem ser um pouquinho mais organizadas e sem brigas. A noite estava linda e fresca, como eu raramente vejo em minha cidade natal. Tudo pacífico, todos sorridentes, sem baderna, homens idiotas que puxam cabelos das garotas ou coisas do tipo. Nem parecia coisa desse mundo, coisa que eventos especiais fazem pela gente. Tudo conspirava a favor de Macca.

Quando o homem subiu no palco, impossível não se deixar impressionar (ao menos no meu caso, que estava o vendo ao vivo pela primeira vez). Este senhor de idade já poderia andar "di grátis" nos ônibus daqui da cidade. Ele poderia se esconder em seu castelo e virar um excêntrico que estaria tudo bem. Ele é o responsável por algumas das melhores e/ou mais famosas canções da existência do cancioneiro pop, e figura importante no comportamento das pessoas nos últimos 50 anos - e está ali na nossa frente, com o seu velho baixo Hoffner e suas típicas beatle boots só pra cantar umas músicas pra gente.

Sendo leiga acerca da carreira solo de Paul (exceto pelo album "Band on the Run", que eu gosto muito, e algumas músicas "soltas"), nem poderia exigir muito - nem sabia qual era o setlist possível baseado em shows anteriores. Mas parecia que ele tava querendo me ganhar e resolveu chegar com golpe baixo: "Hello Goodbye"  é uma de minhas favoritas. E logo emendou em outra que adoro, "Jet". Assim eu já poderia ir pra casa feliz. Foi quando o que eu nunca imaginei ser possível aconteceu: ele tocou "Nineteen Hundred and Eighty Five". Acho que poderia escrever um livro contando a vocês como acho essa música sensacional, a melhor coisa que Macca já fez na vida apesar de um número considerável de gente não conhecê-la - pra minha surpresa, vendo a cara de interrogação da grande maioria ao meu redor enquanto só eu gritava e esperneava e me descabelava a música toda (nem minha mãe teve reação semelhante) - soube que em SP tinha gente que não fazia ideia tb. Pessoal não ouve o Band on the Run até o final não, caceta? xD

Enfim, tiveram as baladinhas que nunca achei lá essas coisas, sendo que desta vez elas nem conseguiram me abalar. É parte do show. E teve também as belezuras, e como teve. Posso dizer que ouvi um beatle cantando "A Day in the Life" (uma das melhores músicas da vida, do universo e tudo o mais, só perdendo pra "God Only Knows" e empatadinha com "Rise" e "Regret" :D), "Eleanor Rigby", "Paperback Writer", "Day tripper", "Back in the USSR", "Helter Skelter", "Lady Madonna", e uma emocionante versão de "Something", linda homenagem ao George que botou o Engenhão abaixo. Essa foi pra minha mãe ;)
O moço senhor é a coisa mais simpática e querida no palco, com a confiança que só tem aqueles que não precisam provar nada a ninguém, além de passar a sensação de que gosta do que faz. Banda simples, pouca gente no palco, poucas pirotecnias - exceto em "Live and Let Die", em que o palco virou um verdadeiro show do KISS e foi lindo. Até "Hey Jude" surpreendeu, com vários cartazes de "NA" levantados pela área prime, resultando num mar de "Na na na na na nas" acompanhando a canção junto com balões coloridos. Não pude deixar de fazer a piada interna (comigo mesma, hahahahaha) falando que aquilo não era show do Kaiser Chiefs. Mas mesmo assim foi uma cena bonita de se ver, bem como o povo saindo do Engenhão ainda num coral de "na na na na na na na na na na Hey Jude" após o show. Não é qualquer  um que consegue angariar tantas pessoas diferentes, tantas idades diferentes e colocá-las neste estado de harmonia conjunta. Tudo que qualquer um de nós gostaria de ser quando crescer ;)

Nem sei o que mais falar sobre o show. Eu tava devendo isso a minha mãe, e a mim - e fiquei feliz de conseguir realizar. É o tipo de evento que todos os amantes da música deveriam presenciar um dia, mesmo porque esse tipo de coisa está tendendo extinguir-se - não consigo imaginar Lady Gaga aos 60 anos fazendo shows imensos desse tipo, por exemplo. Mas o tempo dirá. Não é o tipo de show que a maioria das minhas bandas favoritas faz e muito menos fará no futuro (acho), já que os gêneros estão se fechando cada vez mais em guetos. Resta esperar por uma tour dos Beatles em 3D holográfico daqui a uns 30 anos... só eles mesmo para juntar tanta gente num futuro sem mega-shows a ponto de trazer essa coisa retrógrada de volta. :B

- She is a night tripper,
Sra. T. Beresford

3 comentários:

Alexandre disse...

Fiquei imaginando o Paul pendurado no corrimão de um busão nos subúrbios do Rio. rs

E "1985" é uma das melhores e mais gostosas coisas que o pop já produziu.

:)

Ana disse...

Lindo!
Pena que ele veio para SP em uma época ruim pra mim. Se vier de novo, eu vou e vou!
Vou pegar parte desse seus post e tuitar, posso? HAHAHAHAH! A parte que fala do povo que acha Beatles overrated, SUPER concordo com você!

=***

Sra. Tuppence Beresford disse...

Fico rindo sozinha imaginando esses tipos de coisa, Alexandre! Já fiz na minha cabeça o clipe de Sir Paul no buzão e aquele bando de desinformados fazendo aquela cara de "esse cara não me é estranho, mas quem é ele mesmo?", e pré-adolescentes de uniforme escolar ouvindo funk no celular e querendo que ele calasse a boca... sutilezas cariocas desse tipo! =D

Hahahahaha, soul!! sinto-me flattered ;D

bjunda, pessoal