sábado, 14 de maio de 2011

I feel mysterious today, v.2.0

(um post sobre o Wire, atualizado)

anti-tudo (esq-dir): Robert Gotobed, Bruce Gilbert, Graham Lewis e Colin Newman

Nunca sei se gosto mais de James Murphy pela música que faz ou pelas coisas sensatas (ao menos pra mim) que diz. Outro dia tava vendo uma entrevista das antigas em que o moço conta da importância de bandas "medíocres" (ok, essa palavra fica forte em português - melhor dizer "marromeno" xD) que ele gostava e que fizeram a sua parte colocando-o em contato com bandas de fato incríveis. No caso dele, foi por causa de uma certa banda conhecida que ele amava na adolescência (que não direi qual é para evitar a fadiga e protestos de fãs) que ele chegou ao The Fall, banda pela qual Murphy é até hoje fissurado. Nenhum absurdo. Já reconheci aqui que sem XTC o Blur não seria metade do que é e mesmo assim amo amo amo ambas as bandas, mesmo porque no fim das contas cada uma tem sua singularidade. E só pelo fato do Blur ter aberto um mundo de possibilidades aos meus ouvidos na adolescência serei eternamente grata a eles.  

Essa história de James Murphy com o Fall me fez pensar em como cheguei a eles - afinal, desde a meninice que eu conhecia a fama deles de "banda difícil" - e me lembrei do Wire. Só comecei a realmente sacar qual era a do Fall depois que comecei a gostar do Wire. E eu só fui saber da existência do Wire por causa do Elastica. Então comecemos pelo Elastica.

Lá em 1996 li uma reportagem da Bizz falando dessa nova bandinha inglesa que tava chamando atenção não só pelas músicas que fazia mas também porque sua líder era namorada de Damon Albarn. Deste dia em diante, o Elastica entrou para a minha lista de bandas a serem evitadas - não porque eu achava que o Damon era o meu amor etc etc (bem, por um segundo eu hei de ter achado HAHAHA) mas porque eu realmente evito saber da vida pessoal dos homens da minha vida ídolos, já que isto não me vem ao caso - e, óbvio, quando a vida pessoal dos integrantes vira algo mais importante que a música que fazem boa coisa não é.

O problema é que achei Connection, o grande hit do Elastica, genial desde a primeira ouvida no rádio do carro a caminho da escola. A voz de Justine Frischmann, a ex-Sra. Albarn, era debochada. A música era barulhenta e pop. Irresistível. Aquilo não era uma banda mulherzinha (apesar de 3/4 feminina) e por isso mesmo que adorei. Comprei o CD correndo e apesar de ter uma quantidade considerável de músicas, a maioria era divertida e muito boa. As conspirações sobre tratar-se de um album todo feito pelo(s) namorado(s) de Justine corre até hoje (né, Dan Abnormal?) e prefiro nem discutir o assunto (ao menos agora, hihi). E, antes mesmo de surgir essa história (e pra botar mais lenha na fogueira da minha relação amor/ódio pelo Elastica), logo saiu a notícia de que Connection seria plágio de uma música do Wire. 
AH-RÁ! Ah, se vocês pudessem ver a minha cara de satisfação quando soube disso... "CLARO! Só podia ser! Onde já se viu esse pessoal ter talento pra fazer uma música tão boa?"... e por aí vai. Sim, fui uma adolescente insuportável. xD

Virei admiradora do Wire só pelo fato de terem colocado o Elastica em seu devido lugar. No entanto, cada vez que lia algo a respeito deles ficava com mais medo - "art-rock? punk? pós-punk? industrial? experimental? "pais do techno"? quipoha de música pode sair desta misturada??" - medo de, mesmo já gostando da banda de graça, acabar odiando a música que faziam pelo simples fato de não "sacar qual era a deles": como poderia uma banda considerada "industrial" fazer algo como Connection? Certas coisas não entravam na minha cabeça dura (mais dura ainda naquela época) de jeito nenhum. O pior é que, vendo agora, na época eu já curtia bandas "representantes" de todas estas vertentes citadas - eu só não tinha nenhuma referência de gênero para categorizá-las (a falta de um last.fm na época, hahaha) e então deduzir com maior facilidade como poderia ser o som do Wire (bem como o de outra banda que era sempre mencionada junto a esta, The Fall).

Esse medinho bobo todo só fez com que eu demorasse mais do que deveria pra desbravar o fantástico mundo de Wire, e só muitos anos depois que resolvi procurar a tal da "obra prima" deles, o Pink Flag - que  à primeira ouvida não tava achando essa coisa toda, não... Até a "Connection original" (Three Girl Rhumba), perdia em empolgação, ora vejam só - apesar de ainda assim me sentir irremediavelmente atraída por ela, provavelmente devido à minha óbvia preferência por vocais masculinos (ainda mais com fortes sotaques, ai ai ai ♥). Mas a sorte mudou mesmo foi quando Lowdown começou a tocar e ela me soou absurdamente familiar... 

Depois do barraco com o Wire, achei que o Elastica tinha tomado vergonha na cara e tentaria ser mais original. Em seu segundo disco, The Menace (e antes deste, na ótima trilha de Dead Man on Campus, numa versão que gosto mais ainda) tinha uma música chamada Human que me arrebatou de forma a considerá-la a melhor coisa que eles tinham feito na vida. Coincidência das coincidências foi me dar conta de que o Elastica "não tinha tomado vergonha na cara" e continuou "homenageando" (encare estas aspas da forma que preferir) o Wire!! Só que desta vez tive que admitir que o original, era MUITO, MAS MUITO melhor que a "cópia" que eu amava (deve ser AQUELA batidinha nos pratos, que sempre me deixa arrepiada, prestenção). Depois dessa, cheguei à inevitável conclusão de que o destino de todas as bandas de marmanjos esquisitões do final dos anos 1970-início dos 1980 foi vir ao mundo fazer música única e exclusivamente para ME agradar e resolvi procurar mais sobre eles. Caí de amores pelas capas de "Chairs Missing" e "154" (quem me conhece já sabe que quando gosto da capa as probabilidades de gostar do disco são grandes, contrariando o ditado - ah, o ditado se refere à livros mesmo... =P). Depois que os ouvi, a admiração pela banda foi só aumentando... tanto que gosto mais destes dois que do próprio Pink Flag - também, um disco que começa com Practice Makes Perfect, e tem coisas como Another The LetterOutdoor Miner e (principalmente) A Question of Degree (pohaaa ♥ ♥ ) NÃO PODE ser ruim, bem como um disco com coisas lindas que nos dão orgulho de ter ouvidos como The 15th e Map Ref. 41°N 93°W. Vale lembrar que comecei ouvindo as versões em CD com bonus tracks (de singles/EPs), execradas pela banda por estarem fora do contexto dos albums. Então tá, arrumemos os singles e EPs. Aí já viu, né? 


O que começou como uma banda que eu "tinha que conhecer" foi virando a banda que eu mais ouvia quando queria variar dos meus coroas de sempre (sendo os próprios, igualmente coroas haha). E sem querer querendo eu procurava mais e mais coisas deles e sempre acabava gostando bastante do que ouvia - de repente, quando me dei conta, já estava com discos e mais discos e eles sempre no repeat do meu player e a banda galgando seu posto no topo da minha lista de bandas mais ouvidas do last.fm. Foi aquela coisa bem idiota mesmo, eu ainda "não sabia" que era fã da banda - mas saía procurando tudo quanto é coisa que aparecia deles, ouvia com carinho e não conseguia ouvir outra coisa, pra tempos depois me dar conta de que "nossa, eles são muito bons!". E quando chega a esse ponto, não dá pra negar: você se apaixonou pela banda.


O resto já está virando história - ano passado eles lançaram Red Barked Tree que foi daqueles discos que mal terminei de ouvir pela primeira vez e quis clicar o play novamente (isso sim, algo  difícil de acontecer comigo) - aliás, junto com os últimos do Devo, do Gang of Four e do The Fall (eles, de novo) foi um disco me fez ter cada vez mais orgulho dos "meus coroas" e menos paciência para com bandas novas. Peguei uns discos solo do Colin Newman e me surpreendi com sua versatilidade apesar da voz/forma de cantar de certa forma peculiar - seu primeiro disco solo, A - Z (DL link, nudge nudge), é brilhante. Apesar da maioria achar que a banda não fez nada de útil depois da trinca de ouro Pink Flag-Chairs Missing-154, até discos bastante criticados acabaram me pegando, como o Ideal Copy (DL link, nudge nudge [2]) - que eu adoro, principalmente Ambitious, que até virou, num momento de acentuado devaneio groupiesco, a minha "cover dos sonhos" caso o LCD Soundsystem ainda existisse. Sim, Wire é lindo e virou daquelas bandas que me faz ter alegria de viver! \o/ Próximo passo: ouvir os projetos paralelos dos outros integrantes, se o torrent for bonzinho comigo e, pelas prévias que já tive, tenho quase certeza de que adorarei o que está por vir ;) SIM! 



Uma coisa que eu gosto muito neles (aliás, isso é recorrente em meu gosto musical) é a carreira bipolar que tiveram: começaram fazendo essa música rápida e estúpida e foram evoluindo para canções tensas, arrastadas e então para melodias pop com sintetizadores tão perfeitas que dá vontade de bater neles de tão redondinhas que são (assim, padrão New Order de perfeição pop). E, mesmo assim, depois de tantos anos e tantas mudanças, de alguma forma ainda existe um pouco de brutalidade e sensibilidade em tudo que fazem. Numa hora Colin  e/ou Graham estão gritando como doidos e daqui a pouco cantando com vozes sonhadoras de me deixar suspirando e com dificuldade em acreditar que são os mesmos rabugentos que estão cantando. Cínicos! Mas afinal, nada como fazer música cheia de possibilidades, não? ;)  

Agora, como o Wire me fez finalmente cair de amores pelo The Fall... essa história fica pra depois. 

Can I really manage
To survive outside?
Can I?
Can I?
Can I?
Can I?

Sra. T. Beresford


      

        

2 comentários:

Nubz disse...

HAHAHAH, adoro essa parte em que eu aprendo e conheço mais uma pá de coisa por sua culpa, viu?

Não conhecia Elastica e ouvi Connection só agora. Acheei óotima a música, vai pro repeat do grooveshark mesmo!

Sra. Tuppence Beresford disse...

hahahahahaha you're welcome!!
Eu adoro Connection! até hoje o Elastica traz sentimentos dúbios para mim =P
Maldito guilty pleasure! hahahaha