quinta-feira, 21 de julho de 2011

Smells like 1993

Acho que todo mundo sabe do poder que música e perfume fazem com a gente. Até onde sei, ainda é a forma mais barata (e possível) de se viajar no tempo.

1993 foi um ano esquisito para mim. Na verdade, tive vááários anos esquisitos nessa vida de 31 primaveras (alguns anos ESQUECIDOS também haha), mas 1993 foi um daqueles realmente marcantes. Poderia dizer que foi o início do fim da garotinha-exemplo (se é que já fui um dia - não acho que tenha sido, mas...). Parece a coisa mais boba do mundo vendo agora, claro - mas na época foi algo difícil, deixar de ser o que as pessoas esperam de você para ser algo mais... errado, porém honesto. Certas pessoas poderiam dizer que foi aqui que comecei a me perder, a não ter mais uma perspectiva animadora acerca do futuro; outras poderiam dizer que aqui que finalmente "acordei pra vida" e vi que o buraco é mais embaixo - ou seja, dependendo do ponto de vista pode ser algo ótimo ou péssimo.

Nunca fui uma adolescente "rebelde" - tenho uma família legal (meio doida mas ainda assim uma família legal e sempre nos apoiamos entre tapas e beijos) e não via motivos para me rebelar contra ela. Mas tinha motivos para ser rebelde fora  de casa, de certa forma: depois de anos convivendo em harmonia com pessoas de minha idade, comecei a achar que a adolescência não fez bem para alguns de meus "amigos" e eles tinham se tornado pessoas mesquinhas, insuportáveis... más. Então isso era ser "adolescente"? Não queria isso pra mim. De uma hora pra outra era como se meus amigos falassem uma língua e eu outra, e não conseguíamos nos entender de jeito nenhum. Eles viam graça em coisas consideradas por mim idiotas - e vice versa. O gosto pessoal deixou isso mais claro: minhas roupas, meus tênis, minha maquiagem e, principalmente, meu gosto musical e para filmes eram completamente diferentes dos de meus amigos. Claro que alguns não viam problema nisso (eu não estava totalmente sozinha, estava no grupinho dos underdogs), o problema é que nunca fui uma pessoa de extremos: nunca fui do tipo de sair por aí fantasiada ou defendendo uma causa só para provar alguma coisa (sabe lá o que isso quer dizer). E isso dificultava as coisas um pouco - em que categoria eu estava? Afinal, eu queria encontrar o meu lugar, claro - e nem entre os underdogs eu me sentia segura. Isso sem falar que na época nem tinha internet pra facilitar os encontros de semelhantes.

Foi então que comecei a notar que isso não fazia diferença, porque se delimitar em "categorias" é uma bobagem sem tamanho e é normal se sentir inconformado a maior parte do tempo - é o que nos faz ter essa eterna vontade de mudar, de "evoluir". Percebi como era bom ser eu mesma - mesmo que não me encaixasse em lugar nenhum. Quando comecei a pouco me importar com o que os outros pensavam sobre mim e as coisas que eu gostava - ou seja, o épico momento em que você aprende a dizer "não quero saber a tua opinião" quando alguém aparece com a costumeira "mas essa banda que você gosta é horrível" e coisas do tipo. Quando virei mais amiga de jornalistas e radialistas locais, que eu sempre entrava em contato para conversar e saber mais sobre a música que eu não conseguia conversar com meus amigos. E aprendi muito, sobre coisas que eu adoro - música, cultura e sobre pessoas. E sobre o quão idiotas podemos ser. xD

Eis uma música dos B-52's que me lembra demais essa época. Estava redescobrindo a banda (na verdade, comecei a redescobri-la lá em 1990, graças à uma fita K7 que roubei do meu irmão com uma coletânea New Wave - quando lembrei de como gostava deles quando era criança), e em 1993 eu juntava o dinheirinho da mesada para conseguir importar todos os seus CDs, um por mês. Enfim, qual foi a minha surpresa quando fiz amizade com o apresentador de um programa de rádio (eu mandava cartas e ele comentava no ar) e num dos programas ele dedicou "Strobe Light" pra mim - naquela coisa de "você conhece isso? sei que vai gostar" e eu quase tive um treco, pois nunca tinha falado pra ele do meu amor pela banda antes... mais parecia que ele tinha adivinhado. E logo uma de minhas músicas favoritas!



E pq diabos estou escrevendo sobre isso? Pq nessa mesma época eu usava um shampoo que eu adorava, com um cheiro bem peculiar. Nada de mais sobre o shampoo, vendia em qualquer farmácia - só que eu o adorava, e ele saiu de linha logo depois de lançado. Como se não bastasse eu estar passando pelo típico inferno adolescente, fui abandonada até pelo meu shampoo favorito até então! xD Fiquei desolada. Estoquei vários vidros em casa, e seu perfume ficou eternamente vinculado à época em questão. Quando o último vidro acabou foi literalmente o fim de uma era estranhíssima para mim. Não que as coisas tivessem ficado mais simples, mas daquele momento em diante nem o cheiro familiar estaria lá para me confortar.

Curiosamente, depois de anos e muitos shampoos usados voltei a sentir um cheiro que me lembrava vagamente daquele amigo do passado. Não era nem da mesma marca e comprei puramente ao acaso, mas tinha algo nele que trazia muitas lembranças! E então todos esses causos - bem como a música - fervilharam em minha cabeça, como se eu tivesse vivenciado tudo mais uma vez, durante uma simples chuveirada.
Música e perfume: as formas mais eficazes de se viajar no tempo (ainda).

- Sra. T. Beresford

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