quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Das maratonas discográficas no tratamento da ansiedade

Só bem recentemente consegui (já não era sem tempo) me dar conta do quão ansiosa sou. Algo que refletia em meu corpo e até no gosto musical - lembrem-se que sou uma pessoa que ODEIA baladinhas e qualquer música "mais devagar" mais que qualquer coisa na face da Terra. Mas só fui perceber meeesmo quando cheguei ao ponto de, por exemplo, não aguentar mais ver um filme inteiro sem ao menos dar uma aceleradinha básica numa cena sem diálogo, ou ouvir uma música favorita pela metade, no esquema "Pronto, já ouvi o solo que eu queria. Próxima". Fazia isso direto quando ouvia música no celular no ônibus de volta para casa - isso antes de arrumar um com aplicativo para escroblear faixas e manter meu last.fm mais fiel à realidade. Agora, o foco da minha neurose mudou um pouco - ouço as músicas por inteiro, mas ai delas se não forem escrobleadas ;D


Já sei que tenho um poBRema, agora é tentar dar um jeito nisso. Tô tentando prestar mais atenção nos meus atos, ver até onde são apenas reflexo dessa ansiedade. Enfim, tentando pegar mais leve - coisa que talvez eu fosse muito boa enganando (se é que tem alguém por aí que me acha a pessoa mais tranquila do mundo).


O pior em minha ansiedade é que não tenho uma vida estressante. Trabalho num lugar que adoro, gosto do que faço, adoro meus colegas de trabalho, adoro meus alunos - o único porém é a imprevisibilidade da coisa, que reflete no salário. Mas nada é perfeito, não é? Então será a ansiedade uma forma que arrumei pra compensar essa suposta tranquilidade? Tipo: "A VIDA NÃO É UM MAR DE ROSAS, ENTÃO CORRA!!!" Tá, vou correr. Pra onde? Sei lá. Tenho que estar SEMPRE fazendo alguma coisa, porque logo já terá outra a ser feita, e isso também vale para o lazer (eis o problema). Tenho que ver esse filme correndo, pq logo já tem outro na fila. Tenho que ouvir essa música que eu amo correndo, pq já a ouvi milhões de outras vezes antes e tem quase um terabite de músicas inéditas pra dar conta e ainda não cheguei na metade, e sabe lá se nessa parcela de desconhecidas estará a minha próxima música/banda favorita?
Acho que quero sempre ter AQUELA sensação mágica que tive quando ouvi AQUELA música maravilhosa pela primeira vez. E quero que ela se repita o máximo de vezes possível. Como uma droga.


Me pergunto se só eu passo por isso ou se é reflexo dos tempos e acontece com todo mundo. Eu sei que é uma preocupação idiota, mas... fazer o que? Preocupação idiota esta que está me fazendo adquirir novos hábitos. Um deles é o de fazer "Maratonas discográficas".
Virei adepta de desencavar alguma banda em especial e ouvir tudo de uma tacada. Resolvo arrumar a discografia (mais que) completa de alguém na maioria das vezes por 1) frustração de não ter conseguido na época, por falta de dinheiro etc.; e 2) por despeito, em ter tudo tão facilmente agora. Ouço tudo de uma vez por ser, antes de mais nada, muito prático. Já tentei ouvir de pouquinho em pouquinho discos/bandas que estavam na fila desde 2009 e adivinhe só? Me perdi na maioria de vezes. E depois haja last.fm pra me ajudar a saber se ouvi todos os discos daquela banda e/ou aquele disco por inteiro. Demoraria ANOS para eu finalmente conhecer todos os trabalhos das bandas em questão, caso seguisse assim (isto é, se eu um dia conseguisse ouvir tudo). Sem falar que quando vc tem mais de 20 albums da mesma banda, até o last.fm começa a te embananar. Isso não ajuda em nada a minha ansiedade, sabe?


E então, só depois de já ter ouvido TUDO da bola da vez é que irei atrás da discografia de uma nova vítima digna, o que é um tremendo desafio para mim e minha (falta de) paciência, pois a vontade de sair baixando o mundo 24h por dia é grande (pena que a minha internet não deixa). Acho que a origem de tudo é falta de disciplina mesmo, algo que ainda estou aprendendo. No tapa. O interessante é que a maratona, que quase parece um castigo no começo ("ainda preciso ouvir 13 GB - prestenção na doença da pessoa, eu falo em gigas, e não álbuns ou canções -  DESSA banda? Não vou conseguir"), mas até deixa um pouco de saudade e sensação de vazio quando chega ao fim ("E agora, pra onde?") e acabo até demorando um pouco para estabelecer uma nova "meta", em pensar em algo novo para se ouvir.


Bom que acabo indo atrás de discos que, como disse antes, sempre quis ter - então acaba sendo uma experiência muito legal no fim das contas. Nessa história, voltei a frequentar sebos (além dos sites de venda de usados, claro), lugares esses que eu não frequentava desde os 15 anos talvez? Revi amigos ex-donos de lojas (o que é uma pena) e analiso mais uma vez a minha arqueologia musical pessoal. E me dou conta de que, de repente, nem sou tão ansiosa assim - afinal, tiveram discos que esperei 23 ANOS para comprar e finalmente os tenho em mãos! Isso sim é tempo de sobra pra passar a vontade - e ela voltar mais uma vez com força total. 


- I haven't changed my perception, I haven't lost my protection
Srta. Tuppence Crowley




4 comentários:

Alexandre disse...

Eu me achava o último sujeito que poderia ser classificado como ansioso no mundo, e não é que recentemente me descobri um ansioso (dissimulado), mas ansioso. rs

E o ruim dessa simulação é que uma hora tudo explode de uma vez, aí vem dor aqui, dor ali, cérebro a mil. Não é a melhor opção pra encarar a questão, o difícil é perceber.

Duas coisas aquietam meu espírito: natação e um tipo de meditação pessoal.

:)

Srta. Tuppence Crowley disse...

Meditação! Taí algo que eu realmente precisava, viu? É aquele tipo de coisa que nem consigo me imaginar PENSANDO em fazer que já me deixa ansiosa... tsc tsc pra mim!!

Sally Cinnamon disse...

Ansiedade é a maldição dos nascidos nos 80's (e nos 90's também)

Mas aí é que tá, o que é se for quando é que é ansiedade ou 'estou de saco cheio, próxima1!" ?

Srta. Tuppence Crowley disse...

Boa pergunta, querida... =/