Nunca li “Crash”, o
livro de J.G. Ballard – aliás, lembrei de baixá-lo há pouco
tempo e já consta no topo da minha listinha de leitura futura. Vi o
filme de David Cronenberg na época do lançamento e gostei – mas
achei tão fora da realidade de uma garota de 16 anos que não sabia
exatamente o que pensar a respeito. Fora que assistir ao filme junto
dos amigos da época, rapazes com hormônios a toda e acompanhar suas
reações, tornou-se um evento divertidíssimo à parte. Mais um filme
que eu deveria assistir de novo pra saber qual é.
Minha relação mais
intensa com a obra de Ballard (até agora) é "Warm Leatherette",
música inspirada no livro lido por Daniel Miller na ocasião em que levou um pé na bunda de uma namorada (ô injustiça... :D). Miller é
o fundador da gravadora Mute, mais conhecida por ser a casa do
Depeche Mode e do Erasure (dentre outros) e Warm Leatherette é o
lado B do único compacto que ele lançou assinando letra, música, e
assumindo os vocais, sob a alcunha The Normal - o lado A, pra quem
não sabe, chama-se "T.V.O.D." e foi o primeiro disco lançado pela supracitada Mute.
O jovem Miller acreditava que,
ao fazer música com apenas um dedo num
sintetizador dava pra ser mais subversivo que toda a cena punk com
seus poucos acordes e muita pose, e isso foi algo que me deixou encantanda quando
vi o incrível documentário Synth Britannia – porque, contrariando
um dos amigos que melhor me conhece e que certa vez disse que sou uma pessoa “punk”, na verdade eu sempre fui mais “synth”, pop. Isso já foi até tema de posts passados, mas não custa relembrar:
colocou um “synth” no meio – synthpop, por exemplo –
e a propabilidade de me agradar aumenta, e muito.
No fim das contas, o
compacto teve sua importância no desenrolar do fenômeno synth na
Grã-Bretanha no final dos anos 70/início dos 80. Porém, o lado B
acabou ficando mais famoso que o carro-chefe – é só ver na
wikipedia a quantidade de versões (homenagens/referências) que já
foram feitas. A cover feita por Grace Jones é uma de minhas
favoritas, e nada vai me assustar mais que uma versão feita em
português que só consegui ouvir quando tinha conta no Spotify. E
nenhuma, ÓBVIO, supera a versão original.
O tesão que sinto por
essa música é meio inexplicável, especialmente pra quem não curte esse tipo de som (e se estende para a figura do próprio Miller,
como na maioria das relações übergroupie que tenho) mas acho que
isso não me coloca em condição de ser chamada de kinky que curte
acidentes automobilísticos etc AINDA (dependendo da minha reação para
com o livro, quem sabe? haha). Por outro lado, de certa forma tornou-se uma
condição curiosa para a minha escolha de homens. E, na verdade, só me dei conta disso outro dia.
Estava discutindo com amigas sobre “músicas
ideais que um homem cantaria pra gente pra nos deixar de quatro”.
Azamiga comentavam sobre “I melt with you”, clássico do Modern
English – de fato uma música linda e que se alguém cantasse pra
mim certamente ficaria balançada. Mas aí, pensei... se é pra viajar de vez e
imaginar coisas impossíveis de acontecer MESMO, que seja: "Quer saber? O homem da minha vida ia cantar "Warm Leatherette". Esse eu não deixaria escapar. Mesmo porque, quais as probabilidades de um cara desses aparecer?"
Azamiga tudo riram de mim, claro. E devem ter ficado com pena tb, né, tamanha viagem a minha.
Um cara que no mínimo conhecesse a música já contaria altos pontos comigo, imagine cantar. Teria mais efeito sobre mim que qualquer música bonita da música pop. E sei lá pq.
Escolher uma música dessas, assim como vários outros "desafios" que proponho aos meus pretendentes (ser meio doido, gostar de música boa e/ou esquisita e por aí vai), no fundo muitos poderiam achar que são impecílios criados para eu evitar envolvimento e continuar sozinha (que é bem mais conveniente). "Ser muito seletiva". Nem sei se a questão é ser seletiva - é que pra ficar com alguém que não tem nada a ver contigo eu prefiro ficar a sós com minha ilustre companhia. Evita a fadiga. Não é problema.
O problema é: e quando um cara desses aparece?
- You can see your reflection / In the luminescent dash
Srta. T. Crowley
2 comentários:
Bate Coração!
Ô!
Postar um comentário